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Sexta-feira,
20 de junho de 2003
Porque
hoje é sexta-feira é uma prática de treinamento
à distância instituída, em novembro de 1998, no Centro de
Recursos Humanos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos
- STM, de circulação através do correio eletrônico interno,
que além de divulgar artigos técnicos e de autores consagrados,
aborda temas de gestão, de relacionamento interpessoal, ambiente
e atitudes, com intuito de promover desenvolvimento e aprimorar
as relações no trabalho.
"Como as pepitas de ouro, muitas vezes as idéias estão recobertas
de lama. Se ignorarmos seu brilho, poderemos desperdiçá-las.
Por isso, devemos guardar até as idéias que não nos parecem
tão interessantes num primeiro momento."
Nossos
Velhos
Pais
heróis e mães rainhas do lar. Passamos boa parte
da nossa existência cultivando estes estereótipos.
Até
que um dia o pai herói começa a passar o tempo
todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé
nem cabeça.
A
rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir
as frases e dá pra implicar com a empregada.
O
que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora
para outra?
Fizeram
50, 60, 70 ou até 80 anos.
Nossos
pais envelhecem.
Ninguém
havia nos preparado pra isso.
Um
belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis
e adquirem umas manias bobas. Estão cansados de cuidar
dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles
serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso
recorram a uma chantagenzinha emocional.
Têm
muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não
sabem eles inventam.
Não
fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas
aventuras, como comer escondido tudo o que o médico
proibiu. Estão com manchas na pele.
Ficam
tristes de repente. Mas não estão caducos, caducos
ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.
É
complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já
não estão no controle da situação.
Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm
este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma
usina.
Não
admitimos suas fraquezas, seu desânimo.
Ficamos
irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos
a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões
em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?
Em
vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas
adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente
ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança,
a confiança de que seriam indestrutíveis como
os super-heróis.
Provocamos
discussões inúteis e os enervamos com nossa
insistência para que tudo siga como sempre foi.
Essa
nossa intolerância só pode ser medo.
Medo
de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos,
medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais.
É uma enrascada essa tal de passagem do tempo.
Nos
ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é
difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando
os outros são papai e mamãe, nossos alicerces,
aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora
estão dando sinais de que um dia irão partir
sem nós.
Tenha Uma Ótima Semana !!!
*
Carlos Augusto Roveri é Administrador de Empresas
pela Faap (1977), com especialização em gerenciamento
da qualidade para brasileiros pela AOTS, em Yokohama, no Japão,
é Diretor de RH e Ouvidor da Secretaria de Estado dos
Transportes Metropolitanos - STM, é Vice-Presidente
na Associação Paulista Administração
de Recursos Humanos-APARH e Diretor de Relações
com Entidades da Associação Brasileira de Recursos
Humanos ABRH Nacional.
E-mail: roveri@faap.net
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