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Sexta-feira,
23 de maio de 2003
Porque
hoje é sexta-feira é uma prática de treinamento
à distância instituída, em novembro de 1998, no Centro de
Recursos Humanos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos
- STM, de circulação através do correio eletrônico interno,
que além de divulgar artigos técnicos e de autores consagrados,
aborda temas de gestão, de relacionamento interpessoal, ambiente
e atitudes, com intuito de promover desenvolvimento e aprimorar
as relações no trabalho.
"Como as pepitas de ouro, muitas vezes as idéias estão recobertas
de lama. Se ignorarmos seu brilho, poderemos desperdiçá-las.
Por isso, devemos guardar até as idéias que não nos parecem
tão interessantes num primeiro momento."
EDUCAÇÃO
PARA A PAZ
UMA SOLUÇÃO PARA O GRANDE PROBLEMA DA VIOLÊNCIA
Pierre
Weil*
"Prêmio da Paz Internacional", UNESCO - Paris
A violência impera no mundo, seja nos países
ricos ou pobres. As causas aventadas, em geral, são
o narcotráfico, a pobreza gerando a fome e o fanatismo
sob todas as suas formas ideológica, política,
religiosa, racial, etc. O aumento de excluídos sem
nenhum compromisso cultural é também um fator
relevante.
Há, no entanto, um fator praticamente ignorado: a ausência
de educação para a Paz no mundo.
No ano passado, em reunião promovida pela UNESCO, no
Bureau Internacional da Educação, os Ministros
da Educação de todo o mundo votaram, em unanimidade,
uma recomendação para que seja introduzida a
educação para a paz em todos os estabelecimentos
de ensino. Já quando de sua criação,
a UNESCO, em seu preâmbulo, declarava: "As guerras
nascem no espírito dos homens; logo, é no seu
espírito que precisam ser erguidos os baluartes da
paz".
Uma profecia bíblica diz que haverá um dia em
que as espadas se transformarão em arados. Isto pode
ser interpretado como sendo uma transformação,
no nosso espírito, da agressão e violência
simbolizados pela espada, em amor e tolerância simbolizados
pelo arado. Se deixarmos de fazer isto, pode-se desarmar o
mundo inteiro, tirando todas as "espadas", que os
homens irão à violência e atacarão
com arados ou pontapés.
Esta transformação é antes de tudo um
processo educacional, não somente de crianças
e adolescentes, mas também de adultos, pois estes últimos
têm de dar o bom exemplo. Somos convencidos de que não
adianta apenas "ensinar" a paz, por meio de frases
bonitas e de argumentos intelectuais. É preciso atingir
o caráter, as emoções, os sentimentos.
E isto é uma questão de educação
muito mais que de ensino e instrução.
O ensino atinge o conhecimento, modificando as opiniões.
Mas sabemos hoje que podemos ter opiniões bem pacíficas
na mente e perdemos a paciência e agredimos na primeira
pequena frustração. Por isto, a questão
só pode ser resolvida por uma educação
integral para a paz e não violência.
Um dos programas que a Universidade da Paz - UNIPAZ realiza,
por meio de um novo método de Educação
para a Paz, intitulado "A Arte de Viver em Paz",
publicado pela UNESCO e traduzido para o português e
editado em seis línguas, segue o seguinte processo
de conscientização:
&nb sp; a.. A paz consigo mesmo (Ecologia e consciência
pessoal)
b.. A paz com os outros (Ecologia e consciência social)
c.. A paz com a natureza (Ecologia e consciência planetária)
No plano individual, é preciso mostrar e experienciar
o que é a paz no corpo. Também é necessário
trabalhar as emoções, como a raiva, o ciúme,
o apego para alcançar o despertar da paz no coração.
Isto se faz, em parte, aprendendo a relaxar e silenciar a
agitação dos pensamentos, alcançando
a paz da mente. Enfim, é preciso despertar a plenitude
do espírito e os valores ligados a ele, o amor e a
sabedoria. No social, fatores culturais, políticos
e econômicos da Paz. E no plano ecológico, para
salvar a vida no planeta, precisamos educar o respeito e harmonia
com a matéria e a vida.
Vamos agora retomar estes tópicos para um maior aprofundamento.
1º
NO NÍVEL DO INDIVÍDUO, DA PESSOA
A educação para uma arte de viver em Paz, começa
pela harmonia, o equilíbrio interior entre o corpo,
as emoções e a mente, entre a vida física,
emocional e intelectual.
A educação atualmente enfatiza apenas o corpo,
educação física e o intelecto, como disciplina
mental. Há uma necessidade urgente de restabelecer
o contato da consciência, ou do espírito com
a vida emocional, inclusive aprendendo a lidar com esta corrente
energética selvagem e destrutiva que representam as
emoções, tais como a raiva, o apego, o ciúme,
o orgulho.
Assim sendo a metodologia da Arte de Viver em Paz, recomenda,
que no plano do corpo se procure manter a saúde, isto
é, o equilíbrio o qual acabamos de nos referir
e que é recomendado pela Organização
Mundial da Saúde.
No plano da vida emocional, enfatizam se o cultivo da alegria,
do verdadeiro amor, da compaixão e da equanimidade.
Alegria de compartilhar alegria com os outros; amor no sentido
de querer alegria e felicidade para os que convivem conosco;
compaixão como o querer aliviar o sofrimento das pessoas
e saber se colocar no lugar delas; equanimidade, significa
estimular constantemente os sentimentos acima referidos, para
todos os viventes, para todos os seres, e não somente
para a família, o clube, o partido político;
não somente para os seres humanos mas também
para os animais e mesmo seres invisíveis.
No plano da vida mental, se trata de ajudar os educandos dissolverem
a fantasia da separatividade, dando-lhes uma visão
sistemática e holística, de que tudo depende
de tudo, e que estamos todos "feitos", ou constituídos
do mesmo espaço-energia consciencial, da mesma essência
que muitos chamam de divino.
Ao realizar este último ponto, estamos despertando
em cada um a capacidade de superar os limites do seu pequeno
ser para ele descobrir que ele é o Ser, ou sair dos
limites do seu pequeno espírito limitado por um ego
ilusório.
2º
NO NÍVEL DA SOCIEDADE
Lidar com as pessoas não é suficiente. É
preciso, paralelamente, agir sobre os principais aspectos
e variáveis da sociedade, que pertencem a cultura,
à vida, à política e ao habitat e aspectos
materiais e econômicos.
Na cultura, precisamos reintroduzir através, sobretudo,
das mídias o espírito ligado aos grandes valores
da humanidade, também chamados de valores espirituais.
Mikhail Gorbachev, na sua Perestroika, mostrou que o comunismo
fracassou por reprimir estes valores. Podemos dizer que o
mesmo se dá atualmente com o capitalismo. Estes valores
são bastante numerosos mas podemos aqui enunciar os
mais importantes. São os que fazem parte do que chamamos
de o Bem: A verdade, a beleza e o amor. Eles são indissociáveis
e se reforçam mutuamente: a verdade só é
fria e pode ferir; a beleza isolada pode se tornar a serviço
do egoísmo; o amor sem sabedoria pode levar a ações
inconseqüentes.
São também os valores enfatizados na revolução
francesa, também indissociáveis, tais como a
liberdade, a igualdade e a fraternidade. O fracasso dos regimes
políticos e econômicos atuais, provém
do fato de que a liberdade tem sido enfatizada pelo capitalismo
que sacrificou a igualdade; a igualdade foi o que o comunismo
quis estabelecer, mas sacrificou-se nisto a liberdade; e a
fraternidade tem sido relegada à espiritualidade, ignorada
ou mesmo reprimida pelos dois sistemas políticos e
econômicos de cunho materialista.
No plano cultural precisa-se também enfatizar a não
dualidade e a não fragmentação da realidade,
através da educação e das mídias.
É
preciso também dissolver as "normoses", isto
é, crenças, hábitos e comportamentos
que provêm de um consenso geral ou parcial, e que levam
ao sofrimento, á doença ou mesmo à morte.
Existem inúmeras normoses, isto é, normas anormais
e patológicas, tais como as que levam ao uso da violência
e à guerra "justa", normoses de consumo,
normoses de competição e assim por diante.
No plano social e político, substituir uma sociedade
fundamentada na competição pela cooperação
e pela sinergia, isto é, pela capacidade e ação
de juntar os esforços de todos em benefício
da harmonia e do bem de todos. Consiste em colocar entre partidos
políticos e entre as religiões um entendimento
inspirado por estes valores superiores a que nos referimos
acima. É preciso desenvolver o transpartidarismo político
e a interreligiosidade. União, respeitadas as diferenças,
unidade diferenciada.
No plano econômico, o nosso mundo se ressente de uma
nova economia em que se aproveita as experiências do
passado, conservando o que teve de positivo em ambos os lados,
socialistas e capitalistas.
Algumas idéias e ações estão despontando
neste sentido. Nos países ricos e regiões ou
camadas abastadas dos países pobres, surge um movimento
de "simplicidade voluntária", visando reduzir
o excesso de consumo, o que se inscreve dentro das recomendações
das Nações Unidas de um "desenvolvimento
sustentável", ou melhor, "viável".
Nos países pobres em que impera a miséria e
a fome, um novo conceito será indispensável:
o "conforto essencial".
Destes dois movimentos, de simplicidade voluntária
de milhões de cidadãos abastados de um lado
e da implantação "conforto essencial"
(alojamento, alimentação sadia, vestimenta,
transporte e educação evolutiva assistência
médica), resultará talvez esta nova economia.
Possivelmente se desenvolverá uma economia inserida
numa civilização do lazer como preconizou o
sociólogo Jofre Dumazedier. Com o aumento irresistível
do desemprego devido a automação informatizada,
chegará um momento em que não haverá
mais ninguém para comprar as mercadorias produzidas
automaticamente. Então surgirá uma remuneração
universal garantindo ao mesmo o sustendo individual e empresarial.
Tudo isto começa com a pesquisa e educação
econômica.
Como mostramos, a economia terá de levar em consideração
as limitações de exploração do
planeta Terra.
Isto nos leva ao último nível.
3º
NÍVEL DA NATUREZA
Já é fato consumado e divulgado que estamos
numa situação de catástrofe, de controle
difícil e de reversibilidade questionável e
duvidosa.
Desde a Eco 92, no Rio de Janeiro, as mídias têm
realizado um trabalho notável no sentido de divulgar
os perigos de destruição de um lado, e os meios
para remediar e evitar esta violência para com a natureza.
Estamos aqui tocando na questão da educação
ambiental.
Ela começa por uma harmonia com a matéria. Saber
lidar com a terra sem poluí-la, com a água viva
e saudável, com o fogo, sem ele nos destruir, com o
ar indispensável a vida.
Se trata também de educar para o respeito à
vida em todas as suas formas, inclusive a vida humana...
A tecnologia, desenvolvida pelas universidades e utilizada
pelas empresas de todo o mundo, pode se colocar à serviço
de valores destrutivos ou construtivos. Nisto entram em caráter
de urgência, programas de desenvolvimento organizacional
holístico, tal como o preconizamos em outro trabalho.
4º
EM DIREÇÃO À UMA CULTURA DE PAZ
No seu discurso de posse e segundo mandato, o Senhor Frederico
Mayor, Diretor Geral da UNESCO afirmou: "O mundo está
dominado por uma Cultura de Guerra e de Violência; é
preciso transformá-la numa Cultura de Paz".
É
nisto que estamos empenhados na Universidade da Paz - UNIPAZ.
Esta missão, é ainda mais complexa, se considerar
que o Brasil é uma Cultura de Paz, ameaçada
pela Cultura de Violência no Mundo.
Aqui é a terra do mutirão, do jeitinho, do "deixa
disto", da convivência harmoniosa de várias
raças e culturas, da alegria da Escola de Samba e sobretudo
do abraço.
O Brasil tem muitos abraços para exportar...
Pierre Weil é educador, PhD em Psicologia pela Universidade
de Paris, fundador da UNIPAZ-Universidade da Paz, membro do
Conselho da UMA-Universidade Livre da Mata Atlântica.
Foi condecorado com o "Prêmio da Paz Internacional
2000", pela UNESCO - Paris.
Tenha Uma Ótima Semana !!!
*
Carlos Augusto Roveri é Administrador de Empresas
pela Faap (1977), com especialização em gerenciamento
da qualidade para brasileiros pela AOTS, em Yokohama, no Japão,
é Diretor de RH e Ouvidor da Secretaria de Estado dos
Transportes Metropolitanos - STM, é Vice-Presidente
na Associação Paulista Administração
de Recursos Humanos-APARH e Diretor de Relações
com Entidades da Associação Brasileira de Recursos
Humanos ABRH Nacional.
E-mail: roveri@faap.net
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