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Sexta-feira, 28 de Março de 2008.

Porque hoje é sexta-feira é uma prática de treinamento à distância instituída, em novembro de 1998, no Centro de Recursos Humanos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos - STM, de circulação através do correio eletrônico interno, que além de divulgar artigos técnicos e de autores consagrados, aborda temas de gestão, de relacionamento interpessoal, ambiente e atitudes, com intuito de promover desenvolvimento e aprimorar as relações no trabalho.
"Como as pepitas de ouro, muitas vezes as idéias estão recobertas de lama. Se ignorarmos seu brilho, poderemos desperdiçá-las. Por isso, devemos guardar até as idéias que não nos parecem tão interessantes num primeiro momento.

Proteção ou Educação

Tempos atrás, eu era vizinho de um médico, cujo "hobby" era plantar árvores no enorme quintal de sua casa. Às vezes, observava da minha janela o seu  esforço para plantar árvores e mais árvores, todos os dias. O que mais chamava a  atenção, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que  plantava.

Passei a notar, depois de algum tempo, que suas árvores estavam demorando muito para crescer. Um certo dia, resolvi então aproximar-me do médico e perguntei se ele não tinha receio de que as árvores não crescessem, pois percebia que ele nunca as regava.

Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria. Disse-me que, se regasse suas plantas, as raízes se acomodariam na superfície e  ficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima. Como ele não as  regava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a  migrar para o fundo, em busca da água e das várias fontes nutrientes encontradas  nas camadas mais inferiores do solo. Assim, segundo ele, as árvores teriam  raízes profundas e seriam mais resistentes às intempéries. Disse-me ainda, que freqüentemente dava uma palmadinha nas  suas árvores, com um jornal enrolado, e  que fazia isso para que se mantivessem sempre acordadas e atentas.

Essa foi a única conversa que tive com aquele meu vizinho. Logo depois, fui morar em outro país, e nunca mais o encontrei. Passados vários anos, retornei do exterior e fui dar uma olhada na minha antiga residência. Ao aproximar-me, notei um bosque que não havia antes, quando percebi que o médico,  meu antigo vizinho, havia realizado seu sonho!

O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como que não resistindo ao rigor do inverno. Entretanto, ao aproximar-me do quintal do médico, notei como estava  sólidas as suas árvores: praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente  àquela ventania toda.

Que efeito curioso, pensei eu... As adversidades pela qual aquelas  árvores tinham passado, levando palmadelas e tendo sido privadas de água,  pareciam tê-las beneficiado de um modo que o conforto o tratamento mais fácil jamais conseguiriam.

Todas as noites, antes de ir me deitar, dou sempre uma olhada em meus dois filhos. Debruço-me sobre suas camas e observo como têm crescido. Freqüentemente, rezo por eles. Na maioria das vezes, peço para que suas vidas sejam fáceis: "Meu Deus, livre meus dois meninos de todas as dificuldades e  agressões desse mundo"...

Tenho pensado, entretanto, que é hora de alterar minhas orações. Essa mudança tem a ver com o fato de que é inevitável que os ventos gelados e fortes  nos atinjam. Sei que meus filhos encontrarão inúmeros problemas e que, portanto,  minhas rezas para que as dificuldades não ocorram, têm sido ingênuas demais.  Sempre haverá uma tempestade, ocorrendo em algum lugar.

Portanto, pretendo mudar minhas orações. Farei isso porque, quer nós queiramos ou não, a vida é muito dura. Ao contrário do que tenho feito, passarei  a rezar para que meus filhos cresçam com raízes profundas, de tal forma que  possam retirar energia das melhores fontes, das mais divinas, que se encontram  nos locais mais remotos.

Rezamos demais para termos facilidades, mas na verdade pedidos desse tipo são raramente atendidos. O que precisamos fazer é pedir para que consigamos desenvolver raízes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades  chegarem e os ventos gelados soprarem, resistiremos bravamente, ao invés de  sermos simplesmente varridos para longe.
(autoria desconhecida).

Uma Ótima Semana !!!.

Carlos Augusto Roveri é Administrador de Empresas pela FAAP (1977), com especialização em gerenciamento da qualidade para brasileiros pela AOTS, em Yokohama, no Japão e MBA em Gestão de Empresas pela FIA/USP, é Diretor de Recursos Humanos e Ouvidor da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos - STM e é Conselheiro na Associação Brasileira de Recursos Humanos, Seccional São Paulo - ABRH-SP/Aparh. E-mail: roveri@faap.net

 

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