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Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004

Porque hoje é sexta-feira é uma prática de treinamento à distância instituída, em novembro de 1998, no Centro de Recursos Humanos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos - STM, de circulação através do correio eletrônico interno, que além de divulgar

artigos técnicos e de autores consagrados, aborda temas de gestão, de relacionamento interpessoal, ambiente e atitudes, com intuito de promover desenvolvimento e aprimorar as relações no trabalho.

"Como as pepitas de ouro, muitas vezes as idéias estão recobertas de lama. Se ignorarmos seu brilho, poderemos desperdiçá-las. Por isso, devemos guardar até as idéias que não nos parecem tão interessantes num primeiro momento.

INTIMIDADE

A intimidade encontra-se no âmago da competência. Tem a ver com compreensão, com a convicção e com a prática. Tem a ver com a relação com o trabalho de cada um.

As convicções estão ligadas à intimidade. Figuram antes das normas, padrões e práticas. A prática sem convicção constitui uma existência sem esperança. Os administradores, que não têm convicções e apenas entendem a metodologia e quantificação, são os eunucos da era moderna. Nunca podem incutir competência ou confiança. Nunca podem ser verdadeiramente íntimos.

A intimidade com o trabalho afeta diretamente nossa responsabilidade e os resultados de autenticidade pessoal no processo de trabalho. Uma sua componente-chave é a paixão.

Não devemos pensar que podemos chegar à intimidade sem esforço ou obedecendo uma fórmula. Também não se preserva com facilidade. Tem seus inimigos. Em nossas atividades de grupo, a intimidade é traída por fatores como normas, medidas de curto prazo, arrogância, superficialidade, e uma orientação mais para o ego que para o bem coletivo.

A superficialidade é inimiga da intimidade de uma maneira especial. Quando pensamos cuidadosamente na razão pela qual fracassam algumas pessoas competentes, cultas, enérgicas e bem apoiadas com instrumental de qualidade, vemos que, com freqüência, é o fio vermelho da superficialidade que as afunda. Nunca se envolvem séria e responsavelmente na tarefa que executam.

A intimidade é traída pela incapacidade dos nossos líderes de focar e proporcionar continuidade e ritmo. É traída pelo fato de encontrarem complexidade onde deveria pontificar a simplicidade. Os líderes que sobrecarregam as pessoas em vez de as capacitar traem a intimidade.

A intimidade também tem seus propulsores.

Fui inspirado por um texto de Charles Kuralt que aludia a um talentoso ginasta de colégio, paralisado da cintura para baixo. O jovem atleta era bom de verdade, sendo agradável ver como se tornara apto. Algo que ele disse aplica-se de um modo especial a cada um de nós: "Eu não venho com cadeira de rodas. A cadeira de rodas é que vem comigo".

É assim no trabalho. Nós não vamos com nossas empresas, elas é que vêm conosco, porquanto nenhuma empresa ou instituição pode alcançar coisa alguma sem as pessoas que a tornam no que é. Nossas empresas nunca podem ser nada que nós não queiramos que sejam. Quando encaramos o trabalho nesta perspectiva, desenvolvemos uma intimidade real com ele, que aumenta o valor do trabalho e das nossas organizações.

Encontramos a intimidade por meio de uma busca do conforto, mas com ambigüidade. Não nos desenvolvemos conhecendo todas as respostas, mas vivendo com as perguntas.

A intimidade deriva da tradução de valores pessoais e corporativos em práticas do trabalho cotidiano, da busca de conhecimentos, sabedoria e justiça. Acima de tudo, deriva de relacionamentos sólidos e os incrementa.

A intimidade é uma maneira de descrever o relacionamento que todos desejamos com o trabalho.

Três dos elementos-chave na arte do trabalho em conjunto consistem em enfrentar a mudança, enfrentar o conflito e o modo de alcançar nosso potencial. Um contrato formal quase sempre se apaga sob a inevitável dureza do conflito e da mudança. Um contrato não tem nada a ver com o alcançar nosso potencial.

Alexandre Soljenitsyn, dirigindo-se à classe de formandos do Harvard College de 1978, disse o seguinte sobre o relacionamento legalista: "Uma sociedade baseada na letra da lei, que nunca aspira nada mais elevado, não consegue tirar proveito de toda a gama de possibilidades humanas. A letra da lei é demasiado fria e formal para exercer uma influência benéfica na sociedade. Sempre que o tecido da vida é elaborado com relacionamentos legalistas, cria-se uma atmosfera de mediocridade espiritual que paralisa os impulsos mais nobres dos homens". E, mais adiante: "Depois de atingido um certo número do problema, o raciocínio legalista induz a paralisia, impede a pessoa de ver a escala e o significado dos eventos." (A World Split Apart, Harper & Row, Nova York, 1978, pags.17-19, 39).

O relacionamento de consenso, por outro lado, induz liberdade e não paralisia. Apoia-se em compromissos partilhados com idéias, situações, valores, metas e processos de gestão. Termos como amor, ternura e química pessoal são indiscutivelmente pertinentes. O relacionamento consensual acha-se aberto à influência. Satisfaz necessidades profundas e permite que o trabalho tenha significado e seja satisfatório. Reflete unidade, graciosidade e postura. É uma expressão da natureza sagrada dos relacionamentos.

O relacionamento de consenso permite que as empresas sejam hospitaleiras à pessoa e às idéias invulgares. Tolera os riscos e perdoa os erros.

Como podemos começar a construir e alimentar a intimidade ? Bem , uma maneira consiste em fazer perguntas e procurar respostas. De que modo se relaciona a companhia com sua história ? Que negócio explora ? Quem são as pessoas e quais as relações entre si ? Como enfrenta a mudança e o conflito ? A mais importante, talvez, é: Qual a sua visão de futuro ?

Que está fazendo nesse sentido ? Que pretende tornar-se ?

A minha meta para a Herman Miller consiste nisto: quando as pessoas dentro e fora da firma olharem para nós não como uma empresa, mas como um grupo de indivíduos que trabalham intimamente, dentro de um relacionamento consensual, digam: "Essa gente é uma dádiva para a alma."

Extraído do livro "Liderar é uma arte", de Max de Pree, pg. 59 a 65, 1* edição, Editora Best Seller.

Tenha Uma Ótima Semana !!!

* Carlos Augusto Roveri é Administrador de Empresas pela Faap (1977), com especialização em gerenciamento da qualidade para brasileiros pela AOTS, em Yokohama, no Japão, é Diretor de RH e Ouvidor da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos - STM, é Vice-Presidente na Associação Paulista Administração de Recursos Humanos-APARH e Diretor de Relações com Entidades da Associação Brasileira de Recursos Humanos ABRH Nacional.
E-mail: roveri@faap.net

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