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Sexta-feira, 17 de Junho de 2005

Porque hoje é sexta-feira é uma prática de treinamento à distância instituída, em novembro de 1998, no Centro de Recursos Humanos da Secretaria dos Transportes Metropolitanos - STM, de circulação através do correio eletrônico interno, que além de divulgar

artigos técnicos e de autores consagrados, aborda temas de gestão, de relacionamento interpessoal, ambiente e atitudes, com intuito de promover desenvolvimento e aprimorar as relações no trabalho.

"Como as pepitas de ouro, muitas vezes as idéias estão recobertas de lama. Se ignorarmos seu brilho, poderemos desperdiçá-las. Por isso, devemos guardar até as idéias que não nos parecem tão interessantes num primeiro momento.

Qual a sua idade?

Aldo Cordeiro

Numa noite dessas, entrei numa sala de bate-papos. Meu apelido: Alan-RJ - um pedacinho do meu nome e uma imediata localização geográfica: do Rio para o Brasil... câmbio.

Dialogo com algumas mulheres que, logo de cara, me fazem uma mesma pergunta: quantos anos você tem.

Mais importante do que o que penso e sinto, se tenho alguma religião ou o que estudei, se sou pai, se gosto das arvores e das águas do mundo ou se, ao contrário, espero o mar pegar fogo pra comer baleia assada. Ninguém me perguntava se gosto de cinema, de musica, de ver o pôr-do-sol... parafraseando Saint-Exupery, através do seu Pequeno Príncipe: para algumas pessoas, mais importante é o tamanho da minha casa do que a felicidade que sinto em estar dentro dela.

Outro dia, falei para alguém que havia reencontrado a minha estrela na música, a Françoise Hardy, através da internet. E ele, perplexo: ué, mas ela está uma velha, rapaz! Sim! Como se estrela tivesse idade! Ela foi por muito tempo, um colo em forma de voz, que embalava meu sono. Da mesma idade" que o Chopin e a Enya.

Qual a minha idade? Pergunto a mim mesmo. Oportuna dúvida, no último dia de carnaval: foi exatamente num dia assim, prenuncio do mês de São José, que começa amanhã, com suas promessas de chuva, suas águas "fechando o verão", que vi, pela primeira vez, o telhado da minha casa, pelas mãos de Dona do Carmo, a competente parteira da família.

Faço de contas que não sei em que ano nasci e viajo nas minhas possíveis idades.

Antes de começar a rabiscar essas linhas, dancei, por umas duas horas, uma seleção de baladas do Elton Jonh, de batidas rigorosas que embalam a voz africana de Yossour Nodour e da guitarra do Santana. Imaginem minha idade enquanto dançava! 25 anos. A mesma que tenho, quando acompanho a bateria de um bloco de carnaval. Incansável,feliz!

Assisto a umjogo do Flamengo, que perde novamente. fico descabelado e agitado, como um garoto de 18 anos - aquele torcedor do Guarani de Juazeiro do Norte, uma pequena mas ruidosa nação rubro-negra.

As vezes, falta um colo. Apenas por alguns instantes, volto aos doze anos e ao colo que nunca estava disponível. Outras vezes, reclamo e brigo com algum colega de trabalho. E ficamos com sete anos, no meio de nossos argumentos, que pretendem encerrar a discussão como se fosse um jogo de crianças: um perde, outro ganha.

E se o desejo for maior do que a razão, a lata de leite condensado vira um delicioso peito, por onde escorre o liquido precioso...

Tempo, incessante palco da vida, sempre brincalhão, misturando papéis e cenas. É verdade! Todos sentem brincar de roda de vez em quando ! Todos sonham um dia na vida em trocar os rígidos papéis da segurança afetiva, por uma inocente brincadeira de maçã, pera, salada mista, numa noite de luar !...

Nesse tempo de estrada, tive alguns relacionamentos amorosos . Em alguns, fui maduro, em outros fui criança, inconseqüente e, na quarta-feira de cinzas, até chorei como um velho sozinho, no final do carnaval. Algumas vezes, mais que amante, fui amigo, transcendi a idade.

Tenho uma filha, pequena companheira de jornada nos últimos nove anos. Tem momentos em que preciso me sacudir pra não trocar de lugar com ela. Em outros momentos, vem a ferrugem e é ela que me sacode: pai, vê se balança o corpo pra não parar no início da minha viagem. Concordo, prontamente, e saio correndo atrás do próximo bloco.

Já tive ilusões coletivas. Sonhei que todas as pessoas do mundo poderiam ser mais puras e amigas, alimentadas e felizes. Não foram os anos passados que me quebraram os sonhos. Foi a percepção da realidade de uma espécie incorrigível e doentia, o "ser humano", que veio ao sol - com o aval divino, acreditam muitos pra destruir o planeta e as próprias utopias.

Não penso que seja exagero, por isso mantenho uma porta de esperança em algum lugar do coração e uma porta por onde cultivo amizades e sonhos mais simples, possíveis.

Qual é a minha idade? Depende da paixão, da música, da fogueira em torno da qual nos reunimos, do seu sorriso, do sabor de um beijo, da dança das arvores ao sabor do vento, da inspiração que nasce no meio da noite, da vitória do meu time e, por que não, do seu. Depende da sua alegria, de sua disponibilidade para me ajudar a encontrar, sempre, o bom caminho. Paro de escrever e bebo um gole de água. Bebo e brindo a liquidez da vida Eterna água, meu berço. Um dia, retorno. Hoje, por mais um ano, agradeço ao abraço do universo, ao ar que respiro e aos frutos da mãe terra que me alimentam.

Minha idade é do tamanho - infinito de um abraço. O nosso.

Tenha Uma Ótima Semana !!!

* Carlos Augusto Roveri é Administrador de Empresas pela FAAP (1977), com especialização em gerenciamento da qualidade para brasileiros pela AOTS, em Yokohama, no Japão e MBA em Gestão de Empresas pela FIA/USP, é Diretor de Recursos Humanos e Ouvidor da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos - STM e é Conselheiro na Associação Brasileira de Recursos Humanos, Seccional São Paulo - ABRH-SP/Aparh.
E-mail: roveri@faap.net