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TRABALHO E DESFRUTE

O cenário do mundo profissional não apresenta nenhum indício de mudança - para melhor - no curto prazo. Pelo menos no que se refere às exigências de um mercado competitivo, tenso e de muita ansiedade.

Fala-se muito nos altos índices de desemprego no Brasil. Mas também são elevados os números de profissionais - especialmente executivos de média e alta gerência - que estão sendo compulsoriamente aposentados na faixa entre 55 e 60 anos de idade. E a maioria sem nenhum preparo psicológico e emocional para esta nova fase da vida.

Nosso processo de educação para a vida é muito cruel. Tanto a cultura familiar como a escola e depois o mundo organizacional imaginam apenas duas grandes etapas. Ou quem sabe até três. A saber:

Educação e preparo para o trabalho - inclusive muitos pais tidos como "modernos" entopem seus filhos de atividades como inglês, informática, etc., que impedem a criança de viver este período de forma livre e saudável - quando todo o aprendizado se orienta para o mundo do trabalho.

Depois vem a segunda e, até agora mais longa fase da vida, que é aquela em que nos vinculamos a um emprego ou empresa na busca de sobrevivência e realização. E muitas pessoas consideram que o desfrute da vida deverá vir apenas num futuro incerto, do tipo:

"quando eu me aposentar"; "quando os filhos estiverem criados"; "quando eu tiver uma reserva financeira"; "quando eu tiver uma casa na praia"; enfim, um constante adiamento do desfrute como algo ligado ao "reino dos céus" após a morte.

Mas quando chega esta terceira etapa a maioria não foi preparada para encará-la.

E para isto valem algumas recomendações práticas que devem ser adotadas desde muito cedo. Encarar o desfrute como algo que deve ser feito simultaneamente durante a educação e o trabalho. Considerar que com o aumento da longevidade, o período de aposentadoria poderá ser mais longo que o tempo de vínculo com o emprego.

Desenvolver, ao longo da vida profissional, uma outra identidade para substituir o sobrenome que a empresa lhe empresta e depois lhe retira. Encarar a aposentadoria como uma nova carreira, para qual devo preparar-me de forma séria e disciplinada como fiz para as etapas anteriores.

Infelizmente vivemos em um mundo que valoriza as organizações em detrimento dos indivíduos. E a única pessoa que pode fazer algo para administrar os impactos desta situação na sua vida é você mesmo. Não é tarefa delegável. Cuide enquanto é tempo.

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