Quem somos
Localize sua turma
Galeria de fotos
Cadastre-se
Associado Efetivo
Netmail
Seguro de vida
Porque hoje é sexta-feira
Recrutamento e seleção
Links interessantes
Fale conosco


União Soviética em texto e fotos

Chega ao Brasil o inédito Um diário russo, de John Steinbeck e Robert Capa.

Alex Sanghikian

Em 1947, um editor do jornal "New York Herald Tribune" teve a brilhante idéia de encomendar uma reportagem sobre a União Soviética. À época, no início da Guerra Fria, a ignorância e a desconfiança mútua entre russos e americanos atingiam um de seus pontos mais elevados.

Por isto, o que o jornal queria não era um relato de como os soviéticos supostamente torturavam impiedosamente seus prisioneiros nas geleiras da Sibéria, mas sim um retrato da vida cotidiana no país. Para a tarefa, foram destacados dois nomes de tarimba: o escritor americano John Steinbeck (1902-1968), autor de obras-primas como As vinhas da Ira (1939) e Vidas Amargas (1955), e o premiadíssimo fotógrafo húngaro Robert Capa (1913-1954), autor de trabalhos antológicos, como o realizado durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

O resultado foi o primoroso livro Um Diário Russo (A Russian Journal), publicado em partes pelo jornal nova-iorquino e posteriormente editado em um só volume, em 1948. O texto de Steinbeck, que traz um relato fiel da vida dos soviéticos, é acompanhado por uma série de fotografias de Capa, tiradas nas principais cidades da então URSS.

Resgatando a obra ao leitor brasileiro, a editora Cosac & Naify lançou a versão inédita em português do livro, após mais de 50 anos desde a primeira edição do trabalho.

Arsenal de boatos

Antes de partirem para a viagem, Capa e Steinbeck tiveram de ouvir muitas histórias de nova-iorquinos que, obviamente, nunca tinham viajado para a URSS. O escritor conta, ao início do romance, a aproximação de uma senhora idosa, alarmada quando tomou conhecimento da viagem. "Oh! Vocês vão desaparecer, vão sumir assim que cruzarem a fronteira!", dizia ela. Ao que os repórteres respondiam: "E a senhora conhece alguém que desapareceu por lá?". "Não, pessoalmente não... (sic) Mas aconteceu com muita gente", balbuciou.

Um outro cavalheiro, também idoso, balançava a cabeça enquanto tentava aconselhá-los a desistir do trabalho. "Eles vão torturá-los, não se enganem. Vão jogá-los em uma prisão infecta e torturá-los. Vão torcer os seus braços e deixar que morram de fome até que estejam prontos a confessar tudo o que querem que digam". "Mas por quê? Com qual finalidade? Por qual motivo?", perguntou a dupla. "Eles fazem isso com todo o mundo", respondeu o homem, com ar resignado.

Retrato profundo e bem-humorado

Ao chegarem à União Soviética, Steinbeck e Capa descobriram um país muito diferente daquele retratado pelos americanos. Com uma prosa simples e cheia de humor, Steinbeck retrata a decadente burguesia de Moscou e Stalingrado (hoje Volgogrado), o esplendor das lotadas igrejas da Geórgia e as fazendas da Ucrânia, ambas antigas repúblicas soviéticas, e hoje independentes.

Ao mesmo tempo em que o americano escrevia sobre temas como a onipresente figura de Joseph Stálin (1879-1953) no país, Capa fotografava a escassez e a devastação que marcaram a Europa após a 2ª Guerra Mundial, os prisioneiros alemães que trabalhavam na reconstrução da URSS, e a catastrófica crise na colheita soviética.

Porém, as restrições para o trabalho de ambos eram muitas, principalmente para Capa, impedido de fotografar em várias áreas do país. O húngaro reclamava, no entanto, do próprio povo russo.

"Não estou nem um pouco satisfeito. Os 190 milhões de russos estão contra mim. Eles não se rebelam nas esquinas, não praticam cenas espetaculares de amor livre, não criam nenhum tipo de estilo novo; são um povo muito correto, moralista, trabalhador e, para um fotógrafo, isso é muito insípido, é feijão-com-arroz. Além disso, parecem gostar do modo russo de viver e não gostam de ser fotografados. Minhas quatro câmeras, acostumadas a guerras e rebeliões, estão revoltadas, e cada vez que disparo o botão alguma coisa sai errada", dizia ele.

O resultado, porém, não foi assim tão desastroso como afigura o húngaro. As fotos, se não trazem toda a pungência de outros trabalhos seus, ao menos formam, em perfeita harmonia com o texto de Steinbeck, um bem-humorado e profundo retrato da vida dos russos à época. Uma consonância perfeita entre um americano, que apresentava pelo menos três personalidades diversas durante o dia, e um húngaro ladrão compulsivo de livros, que tinha como hábito dormir na banheira.

Fonte: Tempestade Comunicação

Antigos Alunos Faap © Copyright 1997-2011
Todos os direitos reservados.
Gerenciamento