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SORTE E EMPREGO



A questão do emprego no Brasil - e diga se de passagem , no mundo inteiro - transformou-se em algo tão crucial, que virou até prêmio em sorteio.

Pelo menos esta foi a iniciativa do Supermercado São José de Sorocaba, no interior de São Paulo.

A promoção oferece aos clientes que comprarem o valor mínimo de 30 reais, a possibilidade de ganharem um cupom para concorrer a uma vaga na mais nova loja da rede.

O sucesso tem sido tão grande que nos primeiros cinco dias da promoção já foram depositadas nas urnas do sorteio mais de 10 mil cupons. E as vendas do supermercado aumentaram 10% no mesmo período.

A idéia surgiu como uma promoção comercial do proprietário a partir do processo seletivo que ele iniciou para o preenchimento das 35 vagas para a nova loja. Logo que as vagas foram anunciadas pelo sistema de recrutamento o comerciante recebeu mais de 2 mil currículos.

Após o preenchimento da totalidade das vagas ele resolveu aumentar mais uma para ser preenchida através da forma de sorteio. Mas utilizou tal recurso como forma de induzir seus clientes ao consumo, além de aumentar o fluxo da sua loja.

Mas a reação do Delegado regional do Trabalho e do Presidente da CUT, Luiz Marinho, foi imediata. Classificaram a iniciativa de imoral podendo implicar em uma severa punição.

E a questão é realmente séria. Não pelo processo de sorteio de uma vaga. Mas a utilização do problema do desemprego como uma forma de aumentar suas vendas através de uma promoção de gosto e ética altamente duvidosos.

É evidente que não devemos aqui "crucificar" este comerciante pela iniciativa. Ele deve ser severamente advertido pelo uso inescrupuloso de um problema social como forma de aumentar o seu consumo.

Mas infelizmente este não é o único exemplo de conduta desonesta e exploração da boa fé dos desempregados no mercado atual. Agências de emprego, sem nenhuma ética, cobram de candidatos desesperados taxas absurdas para a elaboração de um curriculum e promessa de empregos que não existem. Empresas de comércio e serviços prometem soluções miraculosas, dinâmicas para desempregados e outras formas de enganação que o induzem a assinar documentos e compromissos financeiros futuros. Tudo sem nenhuma certeza de resultado do prestador de serviços.

Isto sem falar das sessões de descarrego e outras formas de ilusão utilizados pela sociedade moderna e seus marqueteiros.

Fique alerta. Os golpes do antigo batedor de carteira hoje estão mais sofisticados.

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