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Que bom seria se tudo acabasse em sopa...!
(*) Diorindo Lopes Júnior

Mesmo no mais alto verão, eu não dispenso um bom prato de sopa quente, nem qualquer ensopado de peixe - desde que nenhum leve chuchu.

Aproveitando que o inverno finalmente deu as caras aqui no Sudeste, vou falar de sopas.

Vivo em São Paulo, a capital mundial da comilança, e não me atrevo a afirmar que já provei míseros 2% da variedade de sopas que bares, padarias, restaurantes, cantinas, oferecem nesta época.

Conhecidos costumam dizer que eu só entro na cozinha para beber água ou pegar gelo. Não é de todo uma mentira, mas quando quero impressionar uma namorada nova, apelo para uma boa e quente sopa de saquinho. Não importa o sabor. Acrescento salsinha, louro, cebolinha, cebolona, dois tomates picados, dois ovos crus, e pimenta-do-reino branca, conforme aprendi com minha avó.

Minha avó, aliás, costumava fazer um disputadíssimo ensopado com cabeças, espinhas e rabos de peixe, que meus tios pescavam. Eu traçava dois pratos fundos com três colheres do queijo que meu avô ralava e cambaleava em passos trôpegos até a cama.

Quando o salário de meu pai chegava ao fim antes do final do mês - apenas umas dez ou onze vezes no ano, minha mãe cozinhava ovos e batatas, batia no liquidificador com meia dúzia de tomates, duas latas de sardinha, e fervia com temperos.

Noite dessas, um vento de congelar os ossos, vi um sujeito bebendo num copo americano o que me pareceu um chocolate quente. Considerei uma boa idéia e pedi um também. A moça da lanchonete disse-me que não serviam chocolate, só café, e eu apontei o sujeito.

¾ Ah, aquilo é caldinho de feijão.

Estava tão bom que encarei logo outros três copos e dispensei o jantar.

Um conhecido, fanático por iguarias japonesas, sugeriu que eu acrescente à minha sopa namoradeira, uns bons pedaços de queijo de soja, aquele sem gosto nenhum e cujo nome sempre me esqueço - tofu, mais umas pitadas de gengibre e ginseng em pó. Garantiu-me que eu iria me surpreender depois - um cínico! Tomara, ainda não experimentei.

(*) Diorindo Lopes Júnior (www.diorindo.jor.br ) é jornalista e autor de Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br ) e O sol em Capricórnio (www.atualeditora.com.br ).

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