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VIVER É DIFERENTE DE SOBREVIVER
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Roberto
Shinyashiki
É triste ver tanta gente lutar para sobreviver.
E não estou falando apenas daqueles que ganham salário
mínimo, mas de executivos que vivem angustiados com
tantas pressões, de empresários que fogem de suas famílias,
pois não aprenderam a amar, de pessoas de todos os níveis
sociais que estão sempre assustadas perante a vida.
São pessoas que não vivem.
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Apenas
sobrevivem, como se estivessem numa crise asmática
permanente:
aquela eterna falta de ar e, de vez em quando, o alívio
rápido e passageiro.
Logo depois sentem de novo o sufoco insuportável.
Essas pessoas não vivem, sobrevivem.
E apenas sobreviver é trabalhar em algo sem sentido
só para manter o salário;
é fazer joguinhos de poder para manter o emprego;
é sair com alguém que não se ama somente
para aplacar a solidão;
é ter relações sexuais só para
manter o casamento;
é não conseguir desgrudar os olhos da TV, com
medo de escutar a voz da consciência;
é ter de tomar alguns drinques para conseguir voltar
para casa.
A sociedade nos pressiona diariamente para nos transformar
em máquinas.
Todos os dias, pela manhã, uma multidão liga
seu corpo como se fosse mais uma máquina e sai pela
porta para uma repetição infinita de ações
rotineiras sem nenhuma relação com sua vocação
e seu talento.
E muita gente chama a isso livre-arbítrio.
Depois vão a massagens, saunas, fazem um monte de ginástica
em busca de um pouco de energia extra para, no dia seguinte,
voltar a fazer o mesmo trabalho que não tem nenhuma
relação com sua alma.
Muitos estados de depressão são, na realidade,
frutos de uma terrível sensação de inutilidade.
Esse olhar vago do deprimido é muitas vezes o olhar
de quem poderia ter aproveitado as oportunidades da vida,
mas não soube valorizar o que era realmente importante.
Se, por acaso, você se identificou com a descrição
acima, está na hora de mudar. Aproveite o início
de um novo ano !
O filósofo espanhol Julián Marías escreveu
que a infelicidade humana está em não preferir
o que preferimos.
Quando uma pessoa não prefere o que prefere, acaba
se traindo.
As escolhas de nossa vida têm sempre de privilegiar
a nossa essência.
Nossa vocação não tem nada a ver com
ações sem afeto.
O ser humano nasceu para realizar a sua vocação
divina.
No entanto, quantas vezes acabamos nos dedicando exclusivamente
à sobrevivência!
Sobreviver e viver são experiências completamente
distintas.
Viver é ser dono do próprio destino.
É saber escrever o roteiro da própria vida.
É ser participante do jogo da existência, e não
mero espectador.
É viver as emoções, é ter os próprios
pensamentos e viver os seus sonhos.
Sobreviver é administrar o tempo para que o dia acabe
o mais rápido possível.
É conseguir ter dinheiro até o próximo
pagamento.
É respirar de alívio porque chegou o final do
expediente.
É ir resignado de casa para o trabalho e do trabalho
para casa.
É adiar o máximo possível as mudanças
para não ter de arriscar nada...
Chega de migalhas da vida!
Chega de viver como um fugitivo, olhando para os lados, com
medo de tudo e de todos!
O ser humano merece mais do que simplesmente completar seus
dias.
Merece a plenitude da vida.
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