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Soberbas e asneiras
(*) Diorindo Lopes Júnior

Ultimamente, em qualquer reunião aonde vou, seja de família, em botequins, ou até mesmo a trabalho, tenho permanecido calado a maior parte do tempo.

Já me perguntaram algumas vezes se ando doente. Não, graças a Deus. Ou talvez ande. Não doente, mas com pouca paciência (o que não deixa de ser uma doença) com pessoas que precisam falar e falar, a qualquer custo, (não importa a quantidade de asneiras que digam), impor suas conclusões como verdades absolutas. Aparecerem para a platéia, enfim.

Sei que é politicamente incorreto esta minha atitude, mas, diante de tais pessoas, prefiro fazer-me de surdo, ensimesmar-me com outras prioridades, lembranças ou projetos, vontades, sei lá mais o quê que me der vontade na hora.

Nada mais broxante do que você dar uma informação confiável sobre o assunto da mesa e um aborrecedor, que só havia parado de falar para tomar um gole de chope, te interromper falando mais alto e nem tomando conhecimento do que você acabou de falar, para tornar a proferir suas besteiras.

Sabe aquela imagem de você apontar a beleza das estrelas para um imbecil e o imbecil conseguir enxergar apenas a ponta do teu dedo? Pois é.

Na absoluta maioria, quem tem me perguntado se ando doente são pessoas que, como eu, pouco abrem a boca diante dessas sapiências loquazes e soberbas. Há muito, aprenderam a utilizar seu sentido auditivo para apenas ouvir (ou não) tais profetas. Não importa o que afirmem esses tais como verdade incontestável. Aos ouvintes treinados, tais bobagens entram por um lado e saem pelo outro. Algumas vezes até riem, mas nem sabem de quê, já que prestam atenção ao que falam entre si, em tons mais baixos, quase aos sussurros, esses sábios ouvintes surdos.

Nem vou falar da falta de educação dessas tais personalidades que se arrostam a falar e a falar, pois presumo que desconhecem os princípios básicos das boas maneiras. Contudo, inquietei-me com uma indagação: o que leva pessoas bem-nascidas, que estudaram em boas escolas, são bem-informadas, não tem carnês em atraso, vivem bem, trocam sempre de carro, viajam nas férias, empenharem-se a esse falar e falar desmedido, a rirem alto das próprias piadas? Parece até que nasceram sem orelhas...

-- Insegurança - afirmou-me um psiquiatra que conheci recentemente e a quem questionei - Não importa o quão bem-sucedidas são. São pessoas carentes de algo que transcende os bens materiais que ostentam; necessitam o bem-querer dos outros. Daí, inconscientemente, atropelam-se em busca de um reconhecimento de como são simpáticas e inteligentes, esperando alguém demonstrar gostar delas...

Não me convenci com o diagnóstico simplista de meu conhecido psiquiatra, mas, talvez ele tenha razão. Para mim, no entanto, essas figuras faladeiras, mais que inseguras, são mal-educadas mesmo.

(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br) é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br).

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