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RELAÇÃO COM O DINHEIRO

Entre os muitos aprendizados que os membros da classe de média e alta renda podem obter com as famílias mais pobres está a forma como educam seus filhos na relação com o dinheiro. É bem verdade que nos grupos de baixa renda o aprendizado se dá pela necessidade da sobrevivência que força as crianças a entrarem no mercado de trabalho para ajudarem no sustento de todo o grupo. E o que ocorre nos grupos familiares de alto ou médio poder aquisitivo é exatamente um processo inverso. Pela facilidade do acesso ao dinheiro as crianças crescem sem uma noção do seu valor.

Este assunto já é tratado de longa data pelas famílias e escolas norte-americanas. Em visita recente a Europa pude constatar que lá também o tema ganha importância na medida em que a economia européia se equilibra e internacionaliza.

Mas também no Brasil se percebe uma gradativa preocupação com o assunto.

Para a maioria dos especialistas, tanto nas áreas comportamental como financeira, é cada vez mais evidente que o assunto deve ser tratado com as crianças na medida em que elas aprendem a contar e entender algumas relações de valor.

Uma indicação prática e útil é desde muito cedo estabelecer algum sistema de compensação financeira pela execução de tarefas simples relacionadas aos cuidados e ajuda nos afazeres da casa ou aos membros da família.

Uma criança que conquista com algum empenho uma recompensa merecida vai se preocupar também em comprar objetos do seu interesse podendo estabelecer uma relação de valor do mesmo.

Aliás, segundo os especialistas a questão central não está no dinheiro, mas na forma como nos relacionamos com o mesmo e o valor que lhe damos ou emprestamos.

O valor de um guarda-chuva numa loja é bem diferente do que este mesmo objeto oferecido por um camelô na Praça da Sé na hora em que se inicia um temporal.

Com isto estamos fixando não só o valor do dinheiro – e a forma para conquistá-lo – mas o valor intrínseco e determinado pelo momento, de cada objeto. Sem falar nas questões subjetivas de sensação, afeto, etc.

O que importa é que este tipo de educação deve começar em casa, pelos pais. E ampliado pela escola como entidade que educa para a socialização.

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