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Exposição "Objeto Capturado" exibe fotografias de caixas d'água
em meio à arquitetura de arranha-céus de Nova York


Com curadoria de Patricia Furlong, mostra da artista plástica
Renata Soldato entra em cartaz no dia 6 de outubro na Hebraica

O que faz um fotógrafo voltar suas lentes para um tema tão inusitado como uma caixa d'água? O "objeto capturado" passaria desapercebido pela grande maioria das pessoas que visitam Nova York, mas não pela artista plástica Renata Soldato, 52 anos.

Ela ficou fascinada por essas construções desde o momento em que chegou à cidade e abriu as cortinas do hotel onde ficou hospedada, em 2005. "Estranho. Já estivera diversas vezes em Nova York e nunca tinha reparado nessas velhas caixas d'água espalhadas pelos telhados. Como se fossem invisíveis até então", conta.

Segundo ela, a forma de projétil dessas caixas de madeira - que em caso de incêndio se "desintegram", derramando a água sobre os prédios em chamas - a deixou fascinada. "Ali estava uma representação da passagem do tempo, o esquecimento, monumentos de outra época que, como foguetes abandonados sobre uma plataforma de ferro, aguardassem um lançamento abortado há várias décadas", explica.

Soldato buscou e fotografou de forma persistente por 14 dias, no final de inverno daquele ano, as caixas d'água inseridas na paisagem da cidade, em meio aos arranha-céus ou sobre prédios e torres metálicas situados em descampados, casas, fábricas e ferrovias. De metrô, ônibus ou a pé, ela sempre olhava para o alto na sua incessante busca.

Objeto indesejado pelo olhar alheio de milhões de moradores e turistas que transitam freneticamente pela cidade de todos os desejos, Soldato "coloca" as caixas d'água no enquadramento das fotografias, tecendo crônicas sobre elas e o que há ao seu redor. Para a curadora da exposição, Patricia Furlong, a artista plástica altera, deste modo, a percepção que temos da cidade, em particular a Nova York pós-onze-de-setembro, com seus frágeis e obsoletos "foguetes" de madeira prontos para ser lançados - para onde e contra quem?

"No seu percurso à procura de um objeto com formato tão peculiar há em Soldato um tanto de antropóloga, que a partir da observação de um objeto específico quer conhecer o homem e a cidade que habita", diz Furlong.

Segundo a curadora, nas fotos de Objeto Capturado - New York, vê-se uma coerência com a proposta dos seus trabalhos anteriores. "Em todas suas criações, há o comentário sutil que ironiza a vida levada a sério e a aproxima do absurdo, apontando insistentemente para a tremenda fragilidade de nossas convicções".

Uma dessas criações é a exposição Os Gigantes Vermelhos, ocorrida em 2005, sob a curadoria de Antonio Carlos Abdalla. Nela, em fotografias, a artista plástica comparou diferentes momentos históricos da Rússia, país em que morou e trabalhou de 1979 a 1981. O retorno a principal federação da ex-URSS se deu somente após 10 anos, quando a Rússia já era outra, o mundo já era outro.

E por que "New York", e não Nova York ou ainda Nova Iorque? "A opção pelo nome em inglês é um modo de trazer para a realidade da galeria tudo o que eu lá encontrei, sem tirar nem pôr. Trouxe tudo exatamente como encontrei por lá, inclusive o nome da cidade em seu original. Só escolhi o ângulo do clique", revela.

A artista produziu quase três centenas de imagens, mas na mostra - que entra em cartaz no próximo dia 6 e fica até 24 de outubro - serão exibidas apenas 19 delas, todas coloridas. São 11 em formato de 170cm x 113cm, verticais e horizontais, e uma seqüência de oito fotos de 53cm x 35cm, que Soldato clicou de dentro do metrô em movimento entre Queens e Manhattan durante uma nevasca.

Todas as fotografias estão penduradas do teto por fios de aço, montadas sobre lâminas de alumínio e manta magnética. Segundo Soldato, é um suporte coerente com o conceito da mostra. "Trata-se de um material presente no dia-a-dia das pessoas, pacificamente aceito como tal e raramente utilizado de outra forma. Como as caixas d'água, sempre presentes, mas invisíveis na paisagem".

A artista faz mistério sobre um "elemento surpresa" que vai compor a exposição: "É um detalhe que, aos poucos será percebido, e 'mergulhará' o visitante nas imagens retratadas", adianta.

Biografia - Desde 1986, a artista plástica carioca Renata Soldato vive e trabalha em São Paulo. No Rio de Janeiro, aos 17 anos, publicava desenhos no Jornal do Brasil e Tribuna da Imprensa. Posteriormente, sempre como desenhista, colaborou para O Globo e publicações da Rio-Gráfica, da Editora Globo. Nos EUA, onde fixou residência por três anos, estudou Fotografia na Corcoran School of Art, em Washington. Após viver e trabalhar em Moscou de 1979 a 1981, transferiu-se para Londres de 1981 a 1983. De volta ao Brasil, Renata deu continuidade aos seus trabalhos, produzindo obras em desenho, pintura e escultura em seu atelier no bairro de Pinheiros, além de trabalhar digitalmente suas fotografias e projetos gráficos.

SERVIÇO
Exposição:
Objeto Capturado
Abertura: Dia 6 de outubro, das 11 às 14h - Com serviço de Valet Gratuito
Em cartaz: De 6 a 24 de outubro (segunda a sábado, das 8h às 22h, e domingo, das 8h às 20h)
Local: Galeria de Arte "A Hebraica" - Rua Hungria, 100, Jardim Paulistano, São Paulo
Informações: (11) 3818-8888 ou 3818-8889

Produção Executiva
Cult Arte e Comunicação

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