SE
A MODA PEGA...
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A
capacidade dos formadores de opinião nos Estados
Unidos em transformar qualquer episódio - alegre
ou triste - em produto ou idéia para ser consumido
pelo mercado foi sempre conhecida. Mas o que vem acontecendo
agora, como resultado da quebra das grandes companhias,
onde os balanços e resultados foram maquiados,
parece algo surrealista.
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A revista masculina
"Playboy" lançou uma edição
especial com ex-funcionárias da falida Enron totalmente
nuas. A edição teve tanto sucesso e assim que
chegou às bancas, se esgotou.
Mas a grande
surpresa declarada pelo fotógrafo da revista, Gary
Cole, foi o número de telefonemas que a editora recebeu
de ex-funcionárias da World-Com e da antes austera
auditoria Arthur Andersen. Centenas de candidatas se interessaram
em participar das próximas edições da
série iniciada com "As mulheres da Enron".
As candidatas
já receberam instruções dos editores.
Devem enviar fotografias recentes delas próprias -
aqui não vale enganar enviando foto da vizinha ou da
amiga, como fizeram seus chefes - usando biquínis,
juntamente com uma prova de que trabalhavam na World-Com ou
na Arthur Andersen.
Como somos um
país que logo copia os modismos americanos, muitas
vezes sem nenhuma análise mais acurada, meu temor é
que as empresas de re-colocação - mais conhecidas
pelo brasileiríssimo nome de "outplacement"
- pensem em utilizar procedimentos idênticos.
Existem momentos
em que fica difícil estabelecer os limites entre a
ética publicitária e comercial e o uso da desgraça
alheia. Com certeza esta decisão será sempre
uma responsabilidade de cada um.
Já está
passando o tempo em que diferentes segmentos da nossa sociedade
parem de copiar modelos norte-americanos sem nenhuma consideração
pela cultura e realidade brasileira.
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