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A matemática ilusória de Escher
Alex Sanghikian

A primeira sensação que temos ao nos depararmos com uma obra do artista plástico holandês M.C. Escher (1898-1972) é de estranheza. Porém, uma estranheza intrigante, que precede o desejo de desvendar um mistério naquelas imagens absurdas e lógicas abstratas.

O artista era dotado de um incrível talento em misturar características do surrealismo com elementos da matemática. A habilidade lhe possibilitava criar ilusões de espaço e forma, prédios impossíveis e mosaicos geométricos infinitos.

No universo de Escher, portanto, água pode correr para cima e pássaros se transformam geometricamente em peixes. Tudo isso, porém, dentro de uma lógica abstrata e muito bem calculada, que tem como objetivo primordial a criação de uma perspectiva perfeita.

A genialidade do artista holandês, a exemplo dos conterrâneos Rembrandt e Van Gogh, mereceu a criação de um espaço permanente para a sua obra. Em Haia, na Holanda, o museu Escher it het Paleis, dedicado exclusivamente aos trabalhos do surrealista, reúne pinturas, gravuras e desenhos do artista, realizados desde o início de sua produção até suas obras-primas de perspectiva e ilusão de ótica, como as gravuras Dia e noite e Queda água.

O museu Escher it het Paleis fica num pequeno palácio construído no século XVIII, que pertenceu posteriormente à rainha holandesa Emma (1858-1934).

Para adequar-se ao espírito das obras que abriga, o museu conta com alguns elementos modernos. Um deles é um projetor de "realidade virtual", que transforma algumas obras do pintor em hologramas. Assim, o visitante tem a possibilidade de ver, por exemplo, os répteis de Escher moverem-se pelas muitas escadas de suas construções arquitetônicas absurdas.

Vale dizer para os desavisados que o palácio onde está abrigado o museu tem uma construção convencional e obedece às leis da física.

Artista e matemático

Escher disse certa vez, numa de suas frases mais famosas, que tinha mais em comum com os matemáticos do que com os outros artistas. Porém, ele nunca foi um sério estudioso dos números.

Nascido na pequena cidade de Leewarden, em 17 de junho de 1898, Maurits Cornelis Escher começou seus estudos de arte na adolescência, com o professor F.W. Van de Haagen, com quem aprendeu a trabalhar as formas e desenhar em linóleo.

Devido a seu interesse pelas artes gráficas, Escher seguiu o conselho de seu pai e ingressou na Escola Secundária de Haarlem para estudar Arquitetura. Porém, após ser incentivado pelo artista holandês Samuel Jessurun de Mesquita, decidiu abandonar as aulas e se dedicar inteiramente à produção artística.

Depois de passar muito tempo viajando pela Europa - tendo morado na Itália, inclusive -, Escher deu início a uma produção original, na qual mesclava seus mesmo que incipientes conhecimentos em matemática e arquitetura com suas habilidades artísticas.

Apesar de ter produzido uma vasta obra durante sua vida, o artista plástico só foi mesmo reconhecido e se tornou famoso pelo seu trabalho depois de meados dos anos 1960.

Diálogo com todos os públicos

A originalidade do trabalho de Escher permite ao pintor ter um público mais amplo do que a maioria dos artistas plásticos de renome. Isso porque a obra do holandês atrai tanto aquele estudioso de arte quanto o observador leigo, intrigado pelos labirintos das obras.

Isso sem falar, é claro, de matemáticos e físicos, fascinados pela capacidade de Escher em lidar com as fronteiras da lógica.

"Tento testemunhar nos meus trabalhos que vivemos num mundo belo e ordenado, não num caos sem normas, mesmo que ele aparente isso às vezes", explicava Escher.

Mais informações sobre o novo museu podem ser encontradas no seguinte endereço: www.escherinhetpaleis.nl

Fonte: Tempestade Comunicação, em 08/04/2004

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