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O lixo em volta da Terra
Alex
Sanghikian
Estima-se
que existam atualmente 200 mil fragmentos girando em torno
do planeta.
Como se não bastasse todo o lixo que acumulamos na Terra,
ainda temos de lidar com o entulho que gira hoje em torno
do planeta. De acordo com dados do governo dos Estados Unidos,
existem atualmente cerca de 200 mil fragmentos na órbita da
Terra.
Todos esses objetos integraram satélites, foguetes, plataformas
espaciais e outros equipamentos. Depois de deixarem de serem
usados, permaneceram em órbita, como lixo espacial. Os fragmentos
são dos mais diferentes tipos e tamanhos: desde estruturas
enormes, de 200 toneladas, até luvas de astronautas, chaves
de fenda, passando por engradados de alimentos e muitas outras
coisas.
Esses objetos se mantêm em órbita por um certo período de
tempo, até perderem velocidade e serem capturados pela gravidade
da Terra. Assim que entram na atmosfera, ficam incandescentes
(podendo atingir durante a queda 400 km/h e chegar a 1.000ºC)
e, geralmente, se desintegram em razão do atrito com o ar.
Tráfego no espaço
O principal problema decorrente disso é o tráfego no espaço.
O congestionamento maior de fragmentos se encontra na área
acima de 600 km de altura. Ainda assim, a faixa onde circulam
os ônibus espaciais, por exemplo (entre 300 e 600 km), precisa
ser monitorada constantemente.
Muitas vezes, os ônibus são instruídos a ganhar ou perder
altura a fim de desviar do lixo. Só para se ter uma idéia,
um pequeno fragmento em órbita pode rasgar uma espaçonave
ou satélite como papel: um pequeno detrito no espaço chega
a atingir velocidades absurdas, em torno de 28 mil km/h.
Há vários casos de satélites atingidos que ficaram parcial
ou totalmente inutilizados com a colisão. Um exemplo claro
desse problema foi o que aconteceu com o telescópio americano
Hubble. Na primeira missão para reparos no equipamento, em
1993, os astronautas encontraram um buraco de quase dois centímetros
de diâmetro no prato de uma antena de comunicação. Além disso,
um dos painéis solares que fornecem energia para o supertelescópio
também estava danificado, com um buraco de sete milímetros
de diâmetro.
O monitoramento desse entulho espacial costuma ser feito,
principalmente, por militares americanos e russos. Os dois
países são responsáveis pela maior parte do lixo acumulado
no espaço. Ultimamente, porém, o lixo espacial tem aumentado
com os novos sistemas de comunicação e telefonia, que usam
os mais variados satélites (montando uma rede de sinais ao
redor do globo) para suas transmissões. Esse delírio tecnológico
- com grandes chances de se acentuar no futuro - aumentou
sensivelmente o número de entulho no espaço nos últimos anos.
Impacto com a Terra
Apesar de a maioria desses fragmentos se desintegrar quando
entram na atmosfera terrestre, alguns deles (os maiores) tendem
a se chocar contra a Terra, já que, pelo seu tamanho, não
se desfazem com a queda. Desses 200 mil fragmentos, em torno
de 10 mil fazem parte do grupo de objetos grandes, que podem
pesar até 200 toneladas. Todos eles são monitorados permanentemente
e, quando estão na iminência de cair, têm suas trajetórias
corrigidas para que atinjam os oceanos ou áreas despovoadas.
Ainda assim, sempre que há chance de algum continente ser
atingido. As autoridades das possíveis zonas de impacto são
alertadas, mesmo que a queda não traga risco algum à população.
Faxina no espaço?
O pior disso tudo é que ainda é impossível a realização de
uma limpeza de todo esse lixo espacial. Mesmo com toda a tecnologia
atual, ainda não há uma forma de se recolher todo o entulho
que gira em torno da Terra.
Existem algumas sugestões mirabolantes, como rebocar as naves
de volta ao solo, ou ainda pulverizá-las com a ajuda de raios
laser. Tais propostas, porém, exigem tecnologias inexistentes.
"Precisamos ainda estudar como retirar os artefatos das órbitas
mais poluídas ", afirmou o físico Walter Flury, coordenador
das atividades relacionadas ao lixo espacial na Agência Espacial
Européia.
Segundo ele, a medida mais cabível no momento é racionalizar
o uso do espaço. Para isso, é necessário proibir excessos,
como os que acontecem com as empresas de comunicação, além
de missões despretensiosas ao espaço. Mas enquanto isso, o
lixo continua a aumentar.
Fonte: Tempestade Comunicação, em 08/04/2004
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