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Lição esquecida
(*) Diorindo Lopes Júnior
Dia desses, recebi de uma pessoa especial, uma dessas mensagens reflexivas que entopem a Internet há anos. Falava, a mensagem, de pai e filho que, num bosque, espiavam pássaros algazarreando em uma clareira.
"Diga-me, filho: além da cantoria dos passarinhos, o que mais você ouve?".
"Ouço uma carroça chegando, pai".
"Exatamente, filho. Uma carroça vazia".
"Como pode, pai, afirmar que a carroça está vazia, se nem a vimos ainda?".
"Pelo barulho. Carroças são como pessoas: quanto mais vazias, mais barulho fazem".
Apesar de muito pouco o nosso tempo junto, Anna Karla apreendeu depressa bastante de mim. Não faz muito tempo, escrevi algo sobre pessoas que falam demais e alto, não ouvem ninguém e, por falarem demais, alto e não ouvirem ninguém, tolhem a palavra de todos.
Na época, expressei minha opinião, como numa canção de Renato Russo (líder morto da Legião Urbana): falam demais por não terem nada a dizer.
Escrevi isso com raiva, não devia. A raiva deve ser berrada, nunca escrita. Não devemos escrever, com raiva, coisas que não falaríamos como educados cavalheiros.
Lição de bom jornalismo. Por instantes, esqueci.
(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br) é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br) e Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br).
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