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Leitor, outra vez, é a nossa hora
(*) Diorindo Lopes Júnior

Recentemente, um leitor alertou-me: apesar de escrever 'fácil' (entenda-se: utilizando um palavreado que não exija dicionários à mão), estou sempre escrevendo para uma elite.

O leitor tem razão.

Para começar, escrevo para quem (ainda) tem acesso ao jornal - seja comprando-o, seja emprestando-o. Depois, faz-se necessário que esta pessoa saiba ler e compreenda, concordando ou não, com aquilo que lê. Enfim, em nosso país, escrevo e sou lido por privilegiados. Poucos, é verdade.

Mas, verdade também, gosto disso. De que me valeria (e ao jornal que graciosamente me cede tão valioso espaço) se este raro leitor não me compreendesse ou as demais informações publicadas?

Nada, apresso-me em responder.

O leitor com capacidade de reflexão e raciocínio tem capacidade e competência para opinar, concordar ou contestar, reúne argumentos para reivindicar e exigir. Sem medo de parecer ridículo (não o é), trepa no primeiro caixote de cebolas para defender tudo o que julga seus direitos. Tolo, otário de cair no conto do bilhete premiado, seria se assim não o fizesse, assim não agisse.

Leitor consciente é o verdadeiro cidadão. É aquele que questiona, pergunta, procura se informar e não se contenta com o que vai escrito, na primeira leitura. É o que procura mais uma.

É o que forma a sua opinião e a propaga, talvez forme a de outros. Na mesa de refeições, no restaurante, nas filas, na condução ou no botequim. Em qualquer lugar. Leitor tem fluência (e convencimento) no falar. Leitor costuma ser um bom papo.

Ah, importante: leitor nunca é bobo. Pode até ser enganado (ninguém está livre de 'bons' amigos), mas, por si só, jamais se engana. Leitor consciente fica sem, mas só assume carnês quando sabe direito o juro camuflado, e que são muitos, que vai pagar.

Quanto mais assíduo o leitor, sempre será melhor eleitor. Daí crescer sua responsabilidade: auxiliar o não-leitor a votar direito. Responsabilidade árdua, de pífios resultados. O não-leitor é imediatista, troca seu precioso voto por meio quilo de batatas - ronco de estômago vazio ensurdece e a inteligência desaparece em quem primeiro padece.

Daí meu pedido no título, caro leitor: a gente precisa acertar no município, onde moramos e podemos reclamar diretamente com o eleito, para não errar nas outras esferas - onde os poderosos ficam encastelados, protegidos.

(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br) é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br) e Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br).

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