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Jornalismo literário
(*) Diorindo Lopes Júnior
Você aí, que agora me lê, se tiver menos de 35 ou quarenta verões provavelmente não se recordará de um jornalismo feito com paixão. Com literatura.
Mesmo com pouco dinheiro, os jornais podiam deslocar dois ou três repórteres durante semanas para encher os sapatos com pó de estrada atrás de informações suficientes para um "furo" de reportagem. Quando redigia a matéria, o repórter se transfigurava em escritor e comovia os leitores com notícias sobre um Brasil desconhecido de muitos.
De uns tempos para cá, por necessidade industrial, os jornais foram se "pasteurizando", boa parte do material publicado é apurado nas redações (santos telefone e computador!), a sensação que se tem é de ler um jornal e já ter lido todos.
Os grandes atrativos, hoje, são os editoriais e as colunas opinativas, é muito raro ler um "furo". Enquanto as redações se nivelaram, editorialistas e colunistas ganharam projeção ao "interpretar" e comentar os fatos que as matérias, frias, não esclarecem. Não esgotam.
Isso não é culpa da indústria jornalística, apenas uma necessidade imposta pelos novos tempos. Que exige agilidade, concisão e economia.
Agora, que dá saudade de quando repórteres viravam escritores e escritores freqüentavam as redações assinando colunas, isso dá, sim. E muita.
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Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br)
é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br)
e Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br).
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