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De joios e trigo, balaio de gatos e farinha do mesmo saco
(*) Diorindo Lopes Júnior

Admito um certo desalento quando soube que a Justiça do Distrito Federal havia liberado cerca de noventa acusados de fraudas concursos públicos, alegando que o caso era Federal. Ora, que se mantivesse a custódia sobre esses acusados até uma tomada de atitude da Justiça Federal, seria mais sensato.

A questão agora, porém, não é esta.

Ao comprar um gabarito que lhe dará um emprego, o candidato ao serviço público já se apresenta como um péssimo profissional, uma vez que tentará, por todos e quaisquer meios, recuperar o dinheiro investido no pagamento da propina. Pior, apesar de razoável, o salário do serviço público nem de longe é parecido com os do setor privado. Outro estímulo para mandar o serviço público às favas e ficar atento para qualquer oportunidade de engordar seus rendimentos por fora.

É um fato desolador, mas uma linha de raciocínio que não pode ser deixada de lado simplesmente.

Reforça o pensamento corrente na maioria da população de que o serviço público é um cabide de emprego à mercê de inescrupulosos que vêem os cofres públicos como tetas de uma vaca premiada, onde mamarão ad eternum.

Não é de todo uma verdade absoluta, mas não se pode dizer que é uma mentira em plenitude. Talvez uma verdade relativa ou uma mentira em dose idem.

Esses comentários restringiram-se ao plano federal. Todavia, valem também para esferas estados e municípios, já que, no varejo, as oportunidades são maiores.

A carga ruim, nas três esferas, contudo, recai no funcionário que ingressou no serviço público por méritos e sacrifícios próprios. Valendo-se apenas de estudos e qualificações que conquistou ao longo da vida.

A impaciente e cética opinião pública não costuma distinguir o joio do trigo. Bota todos no mesmo balaio de gatos e considera todo mundo farinha do mesmo saco.

(*) Diorindo Lopes Júnior (www.diorindo.jor.br ) é jornalista e autor de Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br ) e O sol em Capricórnio (www.atualeditora.com.br ).

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