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Tem japonês no samba
(*) Diorindo Lopes Júnior
A garota-símbolo da folia de Salvador é uma jovem japonesa desenhada com anatomia brasileira. E dotada também do molejo tupiniquim. A escola de samba campeã de São Paulo tem um mestre-sala oriundo de Tóquio, onde ganhava a vida como garçom de churrascaria.
Dizem que os dekasseguis enviam mais de quatro bilhões de dólares ao ano para seus parentes no Brasil.
Isso, oficialmente. O que entra por fora não se sabe - e é melhor que não se saiba mesmo. Por conta de um Leão faminto. Que não pode ouvir falar de ganhos com o suor do trabalho para querer taxar.
E também por conta de quadrilhas que perambulam livremente pelo aeroporto de Cumbica de olho nos vôos que chegam do Japão e atacam na via Dutra ou Ayrton Senna.
O governo brasileiro ou é muito cruel ou muito burro. Isenta investidores estrangeiros especulativos de quaisquer taxas e pune com impostos escorchantes trabalhadores tapuias que dão o sangue lá fora. Vai ser engraçado quando os dekasseguis perceberem que, em vez de mandar suas economias para seus parentes, pagando tributos aviltantes, podem investir na bolsa e sacar os lucros - sem impostos - a hora que quiserem.
A operação é simples. Pode ser feita em qualquer agência do Banco do Brasil lá. Basta procurar o gerente e informar que pretende investir no Brasil, assinar uns papéis e esperar lucros líquidos de uns 15% ao ano.
Muito mais vantajoso que retornar ao país e abrir uma pastelaria, uma tinturaria ou uma quitanda - tudo à mercê dos impostos aplicados pelo governo e do apetite dos amigos do alheio.
Diorindo Lopes Júnior ( www.diorindo.jor.br ) é jornalista.
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