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Imprensa amordaçada
(*) Diorindo Lopes Júnior<
Calma, não é aqui. E sim na Venezuela.
Onde o presidente Hugo Chávez impôs cana de um a três anos para quem dele falar mal ou bater panelaço no meio da rua e, não satisfeito, botou um lenço de jeans na boca da imprensa.
Lá, não se pode mais veicular imagens que sugiram erros do governo, menos ainda críticas, sob pena de o órgão ser fechado na marra e os responsáveis atirados num calabouço. Se você, leitor, como eu, beira o meio século de existência, já deve ter visto este filme.
Raramente comento temas além-fronteiras. Julgo-me ignorante o suficiente para não compreender o que de verdade rola nos bastidores de meu país, o que dirá em terras alheias? Contudo, não faz muito tempo algo do gênero foi tentado aqui e, agora, com este exemplo, pode muito bem ser tentado outra vez.
Não é por acaso o visível distanciamento de outros presidentes sul-americanos (até o do México) e a aproximação crescente com a Venezuela - até gasolina já mandamos para lá, quando de uma greve local.
O fato é que não confio e duvido tudo de qualquer governo que esquece o prometido em campanha e, deslumbrado, derrete-se quando elogiado pela banca dos estranjas bacanas. Sem uma imprensa realmente livre, então... Tenho até medo de pensar.
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Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br)
é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br).
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