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O início de carreira na empresa familiar: escolha ou imposição
Francis Valdivia de Matos, Consultora na área de Família e Nova Geração
da Bernhoeft Consultoria Societária, membro do
FBCGi - The Family Business Consulting Group International
E-mail: francis@bernhoeft.com
www.bernhoeft.com
Quando falamos de empresas familiares, uma questão debatida freqüentemente é o período de convivência de duas gerações, a que está no comando dos negócios, na faixa etária dos 50 anos, por exemplo, e a nova geração, na faixa etária dos 25.
Costumamos encontrar o pai que, provavelmente estará na plenitude profissional, colocando em prática conhecimentos e experiências adquiridos ao longo de 20 ou 30 anos de trabalho. O filho estará concluindo um curso superior ou um MBA. Terá conhecimento teórico, mas pouca ou nenhuma vivência profissional. Se a opção do jovem é entrar na empresa da família, há de se preparar para tanto. Existe aqui um longo caminho a percorrer.
Cabe lembrar, que atuar como gestor é um dos papéis que o jovem herdeiro pode assumir. O outro pode ser escolher uma outra atividade profissional. Por exemplo, abraçar uma profissão liberal, seguir uma carreira acadêmica ou empreender um negócio próprio. Neste caso, seu papel nas empresas da família será como sócio, acompanhando os negócios, mas sem envolvimento na rotina do dia-a-dia da empresa.
Se optar por ser gestor, há um longo caminho a percorrer. Não é recomendável que o jovem entre na empresa por imposição da família, para preencher o tempo, ocupar as horas vagas ou desempenhar funções meramente burocráticas. Ser uma "visita" ou um "observador" tampouco trará aprendizado relevante.
É recomendável que a família defina e estruture um programa de estágio ou um plano de trabalho para os herdeiros. É importante também que se defina um período, que deve ser negociado previamente, com objetivos e foco claramente definidos.
Uma alternativa, que tem se mostrado enriquecedora é oportunizar ao jovem, antes de entrar na empresa da família, desenvolver uma experiência profissional e de vida , fora da empresa.
Viajar, viver outras experiências culturais, conviver com pessoas diferentes, batalhar para conquistar seu próprio espaço, sem a proteção - e o estigma- de " filho do dono" é um aprendizado que fortalece o caráter e ajuda a desenvolver maior auto-confiança.
Caso o jovem mostre características empreendedoras, uma experiência relevante pode ser empreender um pequeno negócio, onde tenha espaço para desenvolver suas habilidades e sentir o impacto das suas decisões. Acumular experiência ao mesmo tempo que amadurece profissionalmente, será um aprendizado que poderá levar quando vier a assumir posições de maior responsabilidade na empresa da família, trazendo inclusive novas oportunidades de negócio.
Nos trabalhos de desenvolvimento de carreira com jovens herdeiros, temos encontrado pessoas com dificuldade para se posicionar e assumir os desafios de suceder o pai ou o avô. Há um espaço de, pelo menos 20 anos onde as duas gerações estarão atuando juntas. Este processo pode ser acelerado, mas não podem ser queimadas etapas, sob o risco de ter, no futuro, sucessores inseguros que ainda não se conhecem e pouco sabem das suas limitações, potencialidades e habilidades.
Melhor para a empresa será incorporar um jovem que teve experiências profissionais como executivo ou empreendedor e testou sua competência no mercado. Nossa prática mostra que uma experiência de 3 a 5 anos em um outro negócio trará amplos benefícios, inclusive para avaliar seu desejo de entrar na empresa da família.
Isso significa que o jovem poderá entrar na empresa da família com 28 a 30 anos; mais seguro, experiente, com mais bagagem para contribuir na consolidação e crescimento dos negócios. Os anos " fora" não são uma perda, são um investimento que irá agregar valor aos negócios.
As organizações modernas demandam dirigentes competentes, bem preparados para competir a altura num mundo globalizado. Não há mais espaço para o amadorismo e o improviso. O jovem herdeiro, da empresa familiar tem um longo caminho a percorrer.
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