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Regime
de frutas
(*) Diorindo Lopes Júnior
Eu estava comendo um pastel
de feira quando encontrei um conhecido que não via há anos.
Sabia que havia se mudado para Campinas, não que havia voltado.
A mulher o mandou embora e, divorciado, veio morar na antiga
casinha, aqui perto.
Devia pesar uns cem quilos, fiquei surpreso ao vê-lo com pouco
mais de setenta. Indaguei do regime, disse-me que morar sozinho
emagrece. Não me convenci, também moro sozinho há mais de
dez anos e minha protuberância abdominal é um horror de assustar
criança. Exercícios, eu sei, o máximo que faz é correr quando
algum credor lhe bate à porta; levantamento de peso, só de
copos cheios. Garantiu-me que continua apreciando e consumindo
carnes e massas, mas só uma vez ao dia, em um restaurante
por quilo - a salvação dos homens descasados.
Acompanhei-o na feira. Comprou abacaxi, goiabas, carambolas,
bananas, morangos, abacates e limão galego, "para as frutas
não empretecerem na geladeira", explicou. Antes, já havia
comprado outra sacola. Em casa, onde ganha a vida como ilustrador
de confecção, descasca, pica e mistura tudo.
- Passo o dia comendo. No máximo, sujo uma colher, um prato,
um garfo, um copo e, às vezes, o liquidificador. Fácil de
limpar.
Gostei da "dieta". Preciso jogar fora uns quilos.
(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br)
é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br).
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