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CRISE NOS FRETES INTERNACIONAIS MARÍTIMOS E AÉREOS!

Marítimo:

Ninguém diz nada. Todos reclamam que a mídia é tomada por um silêncio tumular, ou se preferirem, sepulcral, enquanto ao que tudo indica, a vaca vai indo para o brejo. É mais ou menos o que faz uma rádioemissora aqui de São Paulo que entrevista pessoas perguntando se foram alguma vez entrevistadas pelo IBOPE, ou se sabem de algum parente ou amigo que foi. A resposta é sempre não.

Os contratos de afretamento de navios do armador a seus proprietários vencem a cada cinco anos e estarão vencendo parte importante neste ano de 2004.

Há dificuldade nessa renegociação. Por exemplo: os mercados que consideram a China/ Europa e China/ Estados Unidos estão pagando mais do que o nosso.

Braço de ferro é imprescindível. Como continuar exportando se os fretes internacionais aumentarem? Como reduzir custos de produção, ou qualquer outra alternativa para compensar esse quadro que não estava nos planos?

Chegam aos nossos ouvidos que alguns navios estão sendo retirados de suas rotas para forçar aumento nos fretes. É a lei de Jean Baptiste Say de Demanda e Oferta, sendo afetada de propósito com essa manobra.

Temos ainda que considerar outro ingrediente. As exportações brasileiras aumentaram forçando a necessidade de navios e containers, que não conseguem também recuperação pela via da importação, agora menor que a exportação.

Como se tudo isso não bastasse, há as greves intermitentes aqui no Brasil. Acaba uma, começa outra. Há pouco tempo tivemos a greve dos TTN´s que atrasaram os trabalhos dos fiscais da alfândega (AFTN´s).

Agora, para não perder o costume, os fiscais estão em operação padrão. A Polícia Federal também.

Os embarques atrasam e acumulam. Os navios que não carregam sofrem remanejamentos de rota. Em conseqüência, cargas são acumuladas. Ficam para o próximo embarque, ou aquele em que for viável.

Mercadorias com toda a documentação desembaraçada, e com tudo pronto para embarque, são deixadas para trás.

As que não são embarcadas recebem a companhia de outras que estão chegando, provocando o congestionamento e a falta de espaço útil.

Os outsiders que atuam fora da Conferência estão sendo usados e não há mais disponíveis. Alguns navios estão vindo para o Brasil sem carga de importação para recolher a carga disponível para embarque na exportação.

Faltam containers, pois alguns estão presos no Brasil, sendo negociada a redução de demurrage. Alguns estão em conserto e outros necessitam de providências.

Não vamos considerar a fila de 80 km de carretas no porto de Pananaguá; e quando reduz para 50Km as autoridades comemoram. Faltam containers de 20´e de 40´ para exportação, além de navios.

Não há previsão para melhorar a situação. Nossas pitonisas de plantão esperam uma situação pior para junho/julho.

A notícia que temos é de que o Governo aumentou a meta de exportação para US$82bilhões este ano. Não é só! Temos também problemas no transporte aéreo internacional.

Aéreo:

Embarques marítimos que se tornaram urgentes porque não saem do porto, ou porque os prazos estão maiores para deixarem o Brasil, usam a alternativa de atender seus Clientes externos enviando pelo menos parte da mercadoria por via aérea.

Do Carnaval para cá as coisas pioraram. A Varig, por exemplo, diminuiu a freqüência de vôos cargueiros. Operavam com quatro aeronaves agora operam com duas.

Cargas para os Estados Unidos necessitam do Raio X. Só exitem três que revezam entre as grandes empresas aéreas e como são poucos os aparelhos surgem atrasos nos embarques.

As companhias aéreas criaram títulos diferenciados, alegando transporte mais rápido como alternativa ao usual, como por exemplo: VLP da Varig. Entretanto, adivinhem, tem preço de frete mais alto.

Aqui em Guarulhos estão usando as instalações abandonadas da Transbrasil para estacionamento de carga onde senhas são distribuídas. Há casos em que uma senha distribuída às 8:00horas, só é atendida às 17:00horas.

Quando será que alguém vai cuidar disso de para valer?

No mês passado li um artigo muito inspirado do Professor Samir Keedi a respeito do AFRMM (Adicional de Frete para a Renovação da Marinha Mercante).
O adicional é recolhido, mas onde está a Marinha Mercante? Se não há marinha, onde estarão os navios?

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Artigo de: José Alarico Rebouças
Diretor da World Brokers Int.
Graduado em Ciências Econômicas pela
Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Despachante Aduaneiro

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