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No tempo das fogueiras
(*) Diorindo Lopes Júnior

Noite de São João, a fogueira era no quintal de minha casa. Valia pela brincadeira de pulá-la e pelos pés-de-moleque, paçoquinha, pipoca e uns doces que minha mãe fazia - com meu pai fiscalizando cada movimento. Era quem punha fogo nas lenhas e pedaços de madeira que juntávamos e, só ele, estourava as bombas mais fortes e soltava os rojões. A nós, restava apenas brincar com bombinhas fraquinhas, jogar traque no chão e fazer figuras no ar com inocentes fósforos de cor.

Também não podíamos soltar balões e beber quentão ou vinho quente então, nem pensar. Minha mãe também cozinhava batatas-doce, mas, olfato sensível, só oferecia quando a fogueira já era só brasa e estava chegando a hora de criança dormir. Rezava a crendice popular que criança que brincava com fogo amanhecia mijada e, pelo sim ou pelo não, minha mãe forrava minha cama com um oleado.

São João não era nada emocionante em minha casa. Nem São Pedro ou Santo Antônio.

Um pouco melhor eram as quermesses na igreja (onde tudo custava caro, para ajudar nas obras que nunca terminavam) e os arraiá na escola. A gente se vestia de caipira com chapéu de palha e bigode de carvão, dançava quadrilha, comia churrasquinho e demais guloseimas, escrevia bilhetes para o correio elegante e oferecia músicas pelo autofalante.

Também nada emocionante, mas mais divertido.

(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br) é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br) e Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br).

 

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