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M.B.A. E EMPRESA FAMILIAR


Os reitores de universidades famosas estão mudando suas posturas. Pelo menos é o exemplo que está dando Dipak Jain, reitor da reconhecida Escola Kellogg de Administração de Empresas de Evanston,Illinois, uma das mais prestigiosas instituições acadêmicas dos Estados Unidos.

Jain arrumou suas malas e saiu pelo mundo - Japão, China, Hong Kong e Brasil - para oferecer sua mercadoria. Alunos brilhantes formados no M.B.A. da Kellogg e que já não encontram empregos no mercado americano, que vive uma grande crise.

Como diz ele, o quadro se inverteu. Poucos anos atrás os egressos Kellogg eram disputados pelas grandes corporações, empresas do mundo financeiro, informática e consultorias muito antes que seus diplomas estivessem impressos.

Hoje, estes mesmos alunos necessitam preparar históricos escolares e profissionais para tentarem uma oportunidade num mercado de alta oferta e baixa demanda.

E aí surge uma das constatações mais interessantes do reitor da Kellogg. Ele considera que num mercado com estas características devem ser olhadas com interesse outras alternativas organizacionais. E para surpresa de muitos, ele destaca dois tipos de organizações: empresas familiares e pequenas empresas dirigidas por pessoas dotadas de espírito empreendedor, principalmente em mercados emergentes com China, Índia, Sudeste Asiático e América Latina.

O diagnóstico que o mundo do trabalho faz é claro: A profunda crise econômica criou um problema para as Universidades - especialmente as mais reconhecidas - pois eles dispõem de mesma quantidade de produtos para vender, mas o número de compradores diminuiu.

Diz Jain textualmente que "precisamos explorar estes novos mercados - criar o conjunto certo de qualificações para que nossos estudantes sejam aceitos no mercado, em vez dos nossos concorrentes. O que significa que, agora, a primeira coisa a ser feita é sentir melhor o pulso do mercado".

Mas ele também tem uma clara consciência que convencer uma empresa familiar a investir em alguém com diploma de alto gabarito e de prestígio, pode ser arriscado, tendo em vista que nestas empresas os atuais administradores, e os que os precederam, aprenderam na prática e com a intuição dos seus pais.

Mas Jain, um homem nascido no nordeste da Índia e já vivendo nos Estados Unidos por longo tempo, não se deixa abater. Ele montou uma estratégia - ou seria um "truque"? - copiado das concessionárias de automóveis. Ele oferece às empresas familiares e pequenos empresários um "test drive". Como diz ele "os empresários podem testar nossos rapazes com diploma de MBA como se fossem residentes. Desta forma eles podem avaliar na prática nossos produtos e verificar que valores eles podem agregar".

Um outro movimento que Kellogg está fazendo, em conjunto com Universidades nos países emergentes, é tentar atrair para os seus cursos herdeiros de empresas familiares e empreendedores jovens das novas empresas que estão surgindo.

Para o reitor Jain "a forma mais perigosa de olhar para o mundo é atrás da mesa de trabalho".

Duas reflexões podem ser feitas com base nestas experiências quando olhamos para a realidade brasileira.

A primeira delas é a importância que nossos reitores, diretores e líderes do mundo acadêmico devem dar ao mercado. Afinal, o verdadeiro "cliente" das escolas não é o aluno, como muitas imaginam. Ele é o "produto" que a mesma oferece a este mercado. Mas o verdadeiro cliente são as empresas que poderão "aproveitar" ou não este produto disponível.

E para isto é importante que todos aqueles responsáveis pelo processo educacional se relacionem de uma forma mais direta e constante com o mundo empresarial nas suas diferentes formas.

A segunda constatação, sobre a qual já temos feito inúmeros comentários, é que a cada dia a empresa familiar se torna um mercado interessante e atrativo para alunos egressos dos MBA's de muitas de nossas escolas.

Mas antes é importante que o próprio mundo acadêmico - e seus componentes - deixem de ver a empresa familiar de forma preconceituosa e pejorativa.

Na medida que consigam fazer uma clara separação entre os conceitos e práticas da "propriedade" e da gestão, as escolas estarão oferecendo um leque maior de oportunidades para seus "produtos" - ou alunos.

A empresa familiar brasileira é hoje uma das grandes alternativas no mercado de trabalho, da mesma forma que o terceiro setor se fortalece como opção de emprego.

E a cada dia a empresa nacional torna-se um desafio digno de ser olhado com interesse pelos jovens que concluem cursos de administração, engenharia, economia...

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