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edição 96 - A aposta certa
Os vencedores do Prêmio Empreendedores do Novo Brasil dão lucro, geram empregos e sonham alto. Saiba por que os negócios deles emplacaram e têm futuro
Por Anne Dias
Entender por que alguns empreendedores dão mais certo do que outros é uma tarefa complexa, mas os vencedores do Prêmio Empreendedores do Novo Brasil dão pistas de qual caminho trilhar em busca do sucesso empresarial. Eles têm histórias emocionantes e muita garra para enfrentar os problemas. Pelo quinto ano consecutivo, a revista VOCÊ S/A e o Instituto Empreender Endeavor elegem os dez melhores empreendedores do ano. Desta vez, foram 120 inscritos. Trinta foram pré-selecionados e passaram por entrevistas com os jornalistas da VOCÊ S/A e os especialistas da Endeavor. Destes, 20 chegaram à etapa final, que incluiu uma rodada de entrevistas com 20 jurados, para atribuição de notas ao negócio e ao perfil do empreendedor. Foi da conversa com os jornalistas, com os analistas da Endeavor e com os jurados que saíram os dez vencedores (veja o perfil de cada um deles). Não é fácil chegar onde esses dez empreendedores chegaram. A trajetória deles demonstra que eles têm um grande senso de oportunidade. Identificaram nichos no mercado, fizeram pesquisas, conheceram os concorrentes e conversaram com consumidores. Você verá que muitos deles não redescobriram a roda. Pegaram idéias de negócios que muitas vezes já existiam (como uma gráfica, uma lanchonete ou uma fábrica de chinelos), incrementaram com alguma inovação (tecnologia, designer ou custos) e tornaram o negócio rentável. É claro que há também exemplos de gente que, sim, inventou um negócio novo (vender livro em máquinas eletrônicas ou oferecer os serviços de uma equipe de enfermeiros por telefone). Mas o segredo não está apenas na boa idéia. "É preciso ter competência para executá-la e colocá-la em prática", diz Paulo Veras, diretor-geral da Endeavor. Melhor ainda se tudo isso estiver documentado e muito bem embasado. "O principal problema dos empreendedores no Brasil é que eles não fazem planejamento", afirma Daniel Schmidt, sócio-diretor da Challenge, consultoria de desenvolvimento de negócios.
Neste ponto crítico a empresa destaque do ano não errou. Desde o começo, os irmãos Alexandre e Marcus Hadade, donos da gráfica Arizona, de São Paulo, sabiam onde queriam chegar. O negócio deles era atender a pequenas agências de propaganda, uma turma vista de lado pelas grandes gráficas. Conforme a empresa foi crescendo, os planos também foram mudando. Das agências menores, eles passaram a atender as grandes (hoje, a carteira de clientes tem cerca de 200 empresas) e depois firmaram um acordo com fornecedores para ter acesso gratuito a suas máquinas, tinta e papel. A história da Arizona mostra que não há problema em mudar de plano. A grande virada é outra. No caso dos irmãos Hadade é ter o negócio sempre bem estruturado e, com isso, em pelo menos cinco anos quintuplicar o faturamento anual, que hoje é de 10 milhões de reais. Como chegaram à liderança do prêmio, Alexandre e Marcus vão participar do curso Building Ventures in Latin America (em português, Construindo riscos na América Latina), da Harvard Business School, em São Paulo. O programa é uma parceria entre Harvard, Ibmec-SP, Fundação Dom Cabral, Fundação Getulio Vargas-Eaesp, Instituto Coppead, PUC-RJ e Universidade de São Paulo.
A vantagem do empreendedor brasileiro é que cada vez mais ele está sendo reconhecido internacionalmente como um homem de negócios. "O brasileiro fez grande progresso nos últimos anos. Ele é naturalmente empreendedor", diz o professor canadense Louis Jacques Filion, especialista em empreendedorismo na Montreal Business School, que esteve no Brasil em meados de maio. E o que o professor quer dizer exatamente com grandes progressos? "Que o brasileiro procurou entender melhor o que é ser um empreendedor, foi atrás de dinheiro a juros mais baratos e viu nascer uma série de consultorias, como Sebrae e Endeavor, para ajudá-lo." Reflexo disso é que, todos os anos, o país figura na lista da Global Entrepreneurship Monitor, uma pesquisa coordenada pela americana Babson College, uma das mais importantes escolas de empreendedorismo do mundo, e pela London Business School, da Inglaterra. No último levantamento, em 2004, feito em 37 países, os brasileiros ficaram em sétimo lugar no ranking, mesma posição do ano anterior. Há um sinal de alerta, no entanto. "Muita gente abre empresa por necessidade, não por senso de oportunidade. Isso é um risco, porque a pessoa está procurando um jeito de sobreviver, não de empreender", diz Heliomar Quaresma, presidente do Business Institute, de Belo Horizonte.
Os dez vencedores deste ano também cometem suas falhas. A pedido da VOCÊ S/A, Víctor Martinez, presidente da consultoria Thomas International, especializada em análise de perfis comportamentais, de São Paulo, examinou cada um dos vencedores. O estudo mostra que eles relutam em delegar tarefas, têm dificuldade em lidar com a equipe e são teimosos, só para citar três exemplos (veja mais no quadro Os 10 Pecados dos Empreendedores). Mas dá para garantir que, apesar desses tropeços, os vencedores vão continuar no caminho certo daqui pra frente.
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MARCUS (À ESQ.) E ALEXANDRE HADADE
Os irmãos Marcus e Alexandre Hadade, donos da gráfica paulistana Arizona, convidaram fornecedores para montar seus equipamentos dentro da empresa. Ali os parceiros mostram seus produtos para outros clientes. Em troca, a gráfica não paga nada pelos serviços e pelo maquinário utilizado. Os irmãos Hadade descobriram também um nicho de mercado nas agências de propaganda de pequeno porte. Aos poucos, passaram a atender também agências maiores, como Lew, Lara, AlmapBBDO e DPZ. "Em três anos queremos faturar 50 milhões de reais", diz Marcus, administrador de empresas de 34 anos. (Anne Dias)
EMPRESA: Gráfica Arizona, São Paulo/SP
FUNCIONARIOS: 98
FATURAMENTO ANUAL: 10 milhões de reais
A GRANDE SACADA: Os fornecedores dão materiais em troca de exposição
A VIRADA: Ampliar a carteira de clientes de pequenas e médias agências de publicidade para empresas maiores
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OS 10 PECADOS DOS EMPREENDEDORES
Pioneirismo, inovação e bom relacionamento são qualidades notáveis nos vencedores deste ano. Conheça os deslizes mais comuns do grupo que também se aplicam aos empreendedores brasileiros em geral:
1. Relutam em delegar tarefas. Quando o fazem, os empreendedores são altamente exigentes e impacientes.
2. Têm dificuldade em motivar a equipe.
3. Não sabem ouvir.
4. Subestimam a complexidade dos problemas.
5. São teimosos: querem que tudo saia do jeito deles.
6. Impõem seu ritmo de trabalho aos outros.
7. Assumem muitas tarefas e não as concluem.
8. Gerenciam pela autocracia, ou seja, gostam de reinar absolutos nas empresas.
9. Não são bons o suficiente em comunicação.
10. Não sabem administrar bem o tempo.
Fonte: Thomas International
CRITÉRIOS DO PREMIO
Os empreendedores inscritos foram entrevistados pelos jornalistas da VOCÊ S/A, por especialistas da Endeavor e por um grupo de jurados. Conheça o resumo dos critérios:
Os empreendedores deveriam:
* Ser brasileiro.
* Ser sócio em, no mínimo, 20% da empresa.
E suas empresas deveriam:
* Estar legalmente constituídas entre dois e 15 anos.
* Apresentar elementos inovadores em seu produto, serviço ou modelo de negócios.
* Gerar empregos.
* Faturar anualmente entre 1 milhão e 45 milhões de reais.
* Ter os demonstrativos financeiros dos últimos dois anos assinados por contador registrado no CRC.
O júri considerou:
* A articulação do empreendedor.
* A relevância da história pessoal e do negócio.
* A geração de empregos.
* O pioneirismo e a inovação.
* Os objetivos de curto, médio e longo prazos.
* O conhecimento do negócio.
* A habilidade de execução.
fonte: http://vocesa.abril.com.br/edicoes/0096/fechado/materia/mt_137619.shtml |