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O dom
(*) Diorindo Lopes Júnior
Dia desses, mandei uma carta para um sujeito que me deve algum e ele me telefonou. "Pô, escrevendo você encosta a gente na parede...!", mas permaneceu sem me pagar. Conheço outro que, sempre que precisa de um favor "você que tem o dom da escrita...", começa o papo assim.
Prefiro escrever a falar porque, escrevendo, sou lido e não interrompido. Quanto ao dom, prefiro chamá-lo de aprendizado-contínuo, aliado a muita leitura; no que o aprendizado torna-se um prazer, já que respiro leitura.
Uma verdade que me leva a pensar em Ziraldo, pai do Menino Maluquinho e também (para os mais rodados) da Turma do Pererê e um dos mentores do polêmico Pasquim, adversário da ditadura. Para ele, "ler é mais importante do que estudar", demorei uns anos para me convencer disso, mas, de certo modo, eu mesmo sirvo de exemplo: nunca fui um aluno brilhante, mas o gostar de ler me fez naturalmente aprender a me expressar através de palavras escritas e esta habilidade me safou de muitas notas ruins.
Sobre escrever direito (muitas vezes, soa-me como acusação), faço o que posso, já que é o mínimo instrumento exigido em minha profissão. E não tenho muita segurança de que o faço direito, menos ainda a certeza de que um dia terei esta segurança.
Espero que não. Não dá dinheiro, mas eu gosto demais deste desafio de aprendizado diário.
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Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br)
é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br).
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