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Dever de casa
(*) Diorindo Lopes Júnior

A vida me transformou num velho decrépito e caquético, mumificado por excessos etílicos e carnes engorduradas, além de bastante rabugento, admito.

Imagine você, prezado leitor, que sou do tempo em que dever de casa era sinônimo de repassar as matérias aprendidas no dia e cumprir a tarefa escolar, uma chateação diária que as professoras nos impunham sob pena de, não a cumprindo, ganhar ponto a menos na média das notas, esculhambação na frente da classe e até mesmo, horror dos horrores, convocação a nossos pais para uma conversa pouco amistosa na diretoria. Hoje, dever de casa virou fruta de estação.

Do time de futebol que, jogando em casa, tem a obrigação de ganhar a qualquer preço, a parlamentares que precisam levar vantagem em suas votações e outros negócios. Passando, claro, por cafajestes que contam aos colegas que vão para casa fazer sexo com suas esposas a espertalhões que, tendo de cumprir metas de vendas, importunam potenciais compradores, que nada querem comprar, com suas quinquilharias de pouca ou nenhuma serventia. Tem mais coisas, deixa pra lá.

Impressiona-me isso a que chamam de riqueza de nosso Idioma - certamente, uns incautos que se crêem modernos. Geralmente, os mesmo que dizem "fui!" ou "vazei!", quando estão saindo de algum lugar. Li uma vez que, quando uma sociedade se deteriora por completo, a primeira vítima que gangrena é a Língua. Faz sentido nesses tempos cabeçudos.

(*) Diorindo Lopes Júnior (www.diorindo.jor.br ) é jornalista e autor de Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br ) e O sol em Capricórnio (www.atualeditora.com.br ).

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