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Duas
correções
(*) Diorindo Lopes Júnior
Talvez eu
esteja começando uma interminável polêmica com o que vou
escrever agora, mas vamos lá: não é raro deparar-me com
algumas ignorâncias ditas/escritas sobre minha cidade, Bauru.
Vou só a duas: Pelé e o sanduíche que leva o nome da terra.
Perdoem-me os mineiros, mais ainda a simpática gente tricordiana,
mas Pelé, o mito Pelé, nasceu em Bauru. Quem nasceu em Três
Corações foi o cidadão Edson Arantes do Nascimento.
Não pasmem, leitores, é verdade. Filho de Dondinho, Edson
foi morar em Bauru com pouco mais de 3 anos e, entre 4 e
5, apaixonou-se por uma bola de futebol. Pelo rádio, ouvia
as peripécias de um goleiro vascaíno de nome Bilé e, nas
brincadeiras de meninos, berrava ser o arqueiro do Vasco,
Bilé.
Nas incongruências no linguajar das crianças, durou pouco
para virar Pelé - apelido que ele não gostava, poucos sabem;
preferia o Dico, como a mãe, dª Celeste, o chamava. Também
poucos sabem que o primeiro time no coração do Rei do Futebol
foi o Vasco e que sua primeira posição foi a de goleiro.
Portanto, Pelé, o verdadeiro e único Atleta do Século, nasceu
em Bauru. Desculpem-me.
Isto posto, vamos ao sanduíche.
Minha Bauru já tinha uns 40 anos quando o jovem Casimiro
Pinto Neto resolveu virar advogado, formado pela tradicional
escola do Largo São Francisco, aqui em São Paulo. Muitos
o afirmam como boêmio, não sei. Sei que, aulas noturnas
terminadas, lá ia ele com outros futuros bacharéis, 'acabar
a noite' no Ponto Chic, distante uns 500 metros.
Esfomeado, uma noite, Casimiro comandou ao sanduicheiro
da hora: vá fritando uns rosbifes, de leve, ponha queijo
para derreter em água fervente, arranque o miolo da metade
de um pão, bote também uns picles por cima do rosbife, o
queijo derretido na metade do pão sem miolo e corte em dois.
Não sei se foi exatamente assim, mas, imediatamente, alguns
colegas pediram o mesmo: Ei, quero um igual ao do Bauru!
Ao do Bauru! - "Bauru", era como Casimiro era chamado pelos
colegas.
Daí o nome do delicioso 'sanduba'..
Vou além: o autêntico bauru em nada se parece com o misturado
de queijo/presunto, com rodelas de tomate, que servem por
aí. Bauruense, bauruense mesmo, chama isso de misto quente
com tomate. Claro, se o freguês exigir, num lugar onde façam
direito, o autêntico bauru pode ser acrescido de rodelas
de tomates. Ou de cebolas, azeitonas, alface, almeirão,
chicória, ovo frito, caramelo, sorvete de creme ou pistache...
Freguês sempre tem razão.
Quem fazia direito o bauru, em Bauru, era o Zé, dono do
Skinão, uma lanchonete que ficava no centro. O Zé morreu,
o Skinão mudou-se para um outro lugar (mais fino) e o bauru,
dizem, não tem mais o mesmo sabor, mas ainda é muito bom.
Será que Pelé provou do bauru feito pelo Zé?
(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br)
é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (saraiva.com.br)
e Cesta de 3 (aliseditora.com.br).
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