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Cheiroso
(*) Diorindo Lopes Júnior

Admito que cometi algumas malvadezas nos bons tempos de escola, mas nenhuma tão marcante como a que me contou um amigo. Em sua cidadezinha, o pai de um colega ganhou na loteria e o moleque passou a se comportar de acordo com o novo status.

- Imagine, chegava na escola de uniforme passado, banho tomado e per-fu-ma-do, vê se pode?!

Um dia, alguém lhe perguntou se o perfume era da irmã e ele cometeu 'o desplante' de responder que era a loção pós-barba que o pai lhe emprestava.

- Devia usar pinça para arrancar aquela meia dúzia de pelinhos do queixo... - até hoje este meu amigo não se conforma com a petulância do colega.

Algumas semanas depois, uma autoridade foi fazer uma palestra no salão nobre da escola (naquela época, muitas escolas públicas tinham salão nobre) e combinaram a "vingança".

- Éramos uns vinte. Cada um deu um jeito de se sentar perto dele e o Tobias acendeu aquele barbantinho que fede debaixo de sua poltrona. Meio minuto depois, estávamos todos abanando os cadernos em sua direção.

Aos berros, "você está podre por dentro, procure um médico, seu porco!", largaram o infeliz sozinho no meio de uma porção de poltronas vazias.

- A cidade inteira ficou sabendo e passaram a chamá-lo de Cheiroso. Mudou de escola, o apelido foi atrás. Saiu de lá há anos, mas sempre que aparece tem algum gozador que berra na rua: ô Cheiroso!

(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br) é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br) e Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br).

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