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Carta aberta da AEI-LIJ

Carta aberta da AEI-LIJ - Associação dos Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil

Rio de Janeiro, 30 de abril de 2004

Carta Aberta ao Presidente Luís Inácio Lula da Silva e ao Ministro Tarso Genro

Tendo tomado ciência pelos jornais, assim como a maioria dos editores deste país, da extinção do Programa Nacional de Bibliotecas Escolares, no que toca aos programas Literatura em Minha Casa e semelhantes, a Associação de Escritores de Literatura Infantil e Juvenil lamenta que, mais uma vez, um programa de tanta importância, da mesma maneira como foi criado, sem discussão entre os setores envolvidos, especialmente as entidades representativas dos autores e editores, seja extinto sem a abertura de um fórum amplo e democrático para avaliá-lo e definir rumos para mudança.

Em maio do ano passado, nossa Associação apresentou diversas críticas ao Programa, conforme vinha sendo executado, numa reunião convocada pelo então Ministro Cristóvão Buarque. Em dezembro, em nosso I Encontro Nacional, em SP, aprovamos moções (ver www.docedeletra.com.Br/aeilij) nesse sentido, sempre e ainda buscando o aprimoramento do programa. Nenhuma dessas iniciativas, infelizmente, teve resposta ou decorrência prática da parte dos órgãos responsáveis. O que argumentamos então, e ainda defendemos, como ponto central, é que um programa de incentivo à leitura não pode ser bem elaborado sem a participação, em sua formulação, dos que criam a literatura.

O Brasil precisa de livros, de ampliação do público leito: de democratizar a literatura no seio de seu povo. Seja o PNBE/Literatura em Minha Casa, ou outro programa, é necessário que haja uma potente iniciativa do governo nesse sentido. Ou seja, esperamos sinceramente que a extinção deste programa não crie um vácuo, já neste ano de 2004, e que a título de avaliação de resultados não se prive o nosso povo deste e também de qualquer outro programa, desta mesma amplitude, de compra oficial de livros, numa equivocada definição de prioridades em que gastos são cortados porque são gastos, apesar de serem indispensáveis. Quando o governo compra livros - para bibliotecas ou para que as pessoas físicas os tenham em casa - está investindo em consciência, em capacidade de transformação do mundo. Esperamos que este sentido esteja claro e tenha reconhecida sua essencialidade pelo Governo Brasileiro.

Desde já reivindicamos a participação da AEI-LIJ nos fóruns de avaliação e reformulação dos programas de compras oficiais. Escritores e Ilustradores criam livros, passam boa parte de seu tempo percorrendo escolas de todo o país, conversando com crianças, são a matéria-prima e o grande atrativo de todos os programas de incentivo à leitura: como se pode excluí-los da elaboração dos programas que visam incrementar a leitura no Brasil?

Luiz Antonio Aguiar
Presidente da AEI-LIJ
laaguiar@unysis.com.br

PELA DEMOCRATIZAÇÃO DA LITERATURA NO BRASIL!

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