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A AUTO-realização como um desafio na aposentadoria
Lilian Shibata

Recentemente têm surgido inúmeros artigos sobre envelhecimento e os desafios da aposentadoria. É uma preocupação do mundo contemporâneo, tornando-se um tema provocativo nas várias instâncias pessoais, familiares profissionais e sociais. Portanto, faz-se necessário um engajamento dos diversos segmentos da sociedade, com a responsabilidade de propor ações que contribuam para maior humanização e um envelhecimento digno.

É desnecessário mencionar as estatísticas sobre a longevidade e terceira idade, termo que hoje se encontra defasado, dando lugar à quarta idade e a contingência significativa de centenários.

Entretanto, os números servem de alertas para uma mobilização da sociedade, para se repensar todas as questões que envolvem a aposentadoria, partindo de uma variável da realidade brasileira que apresenta um sistema previdenciário precário, sem perspectiva de adequações e um dos mais caros do mundo apontado pelo jornal O Estado de São Paulo em 2005. O valor alcançado na ocasião era de 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB), ante uma média mundial de 8,7%, levantamento realizado pelo Banco Mundial em 61 países (Fipe/USP).

Estas questões são o pano de fundo para uma reflexão sobre a condição da sociedade dita pós-moderna, situação esta não muito diferente do que herdamos com a Revolução Industrial no século XVIII. Este acontecimento foi o inicio de uma nova dinâmica mundial baseada no capitalismo, pressionado pela urbanização crescente, e a mecanização foi crucial no atendimento às demandas e racionalização do trabalho. Este fato provocou o que chamamos de alienação, na qual o homem se distanciou da humanidade diante da dominação mecanicista, transformando de modo radical, as relações com o tempo, trabalho, família e alterando substancialmente as configurações das várias esferas, nas quais o homem é o elemento essencial.

Na atualidade, sofremos a conseqüência dessa herança sob o julgo das múltiplas revoluções: da informática à biotecnologia e da família que deixou de ser a célula principal das organizações sociais, gerando riscos e incertezas. Participamos dessa grande aventura na era da globalização, independente de nossa vontade.

Assim como o comércio vem crescendo exponencialmente e a economia vem gerando oportunidades e riquezas, cresce a desigualdade social e todos os desdobramentos, desde a valorização dos bens materiais, até o descarte do que a sociedade julga 'velho'.

O capitalismo cultua a produtividade e a automatização, visando, sobretudo ao lucro e à competitividade. Coloca o detentor de conhecimentos e experiências, no caso o idoso, em uma posição inferior em uma sociedade que não valoriza a memória histórica, em especial, no contexto em que a velocidade torna obsoleto tudo que era novidade no espaço de um ano.

Existe ainda o fator endeusamento da juventude, porque cada vez mais os jovens passaram a ter poder, primeiro o da compra no mundo frenético do consumo descartável e depois pelo avanço tecnológico que lhes proporcionou uma vantagem enorme em relação aos mais velhos.

Com todas estas questões no âmbito social, o processo de reconquista da subjetividade, do singular por meio do descobrimento de novas competências associadas a um envelhecimento saudável, faz-se urgente e para isso é importante que o sujeito utilize todos os seus recursos para fortalecer sua estrutura psíquica e um nível de consciência que promova a auto-realização. Portanto, a despeito das dinâmicas pertinentes ao cenário organizacional e à sociedade contemporânea que estigmatiza a velhice, se houver uma conscientização do processo de transformação constante, buscando principalmente novos significados nas interações com o outro, podemos identificar um sujeito em direção à sua auto-realização.

LÍLIAN SHIBATA

Consultora nas áreas de Família e Nova Geração da Bernhoeft Consultoria. Desenvolve projetos de consultoria para Formação de Herdeiros, Acionistas e Cônjuges, acompanhando o processo de construção do Projeto de Vida.

Psicoterapeuta, especilista e mestranda em terapia familiar e sistêmica. Atuou clinicamente por mais de 12 anos focando questões relacionais e interacionais. Quinze anos de experiência em treinamento e desenvolvimento de Recursos Humanos, tendo atuado em empresas de médio e grande porte.

Realiza projetos na área de Preparação de Executivos para a Aposentadoria (Pós-Carreira), acompanhando todo o processo de execução, desde a Sensibilização destas pessoas até a elaboração do Projeto de Vida, assessorando e monitorando todas as etapas.

Ministra palestras sobre Dinâmica Familiar e Planejamento Sucessório. Desenvolveu vários programas de recuperação da saúde empresarial. Palestrou no Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia sobre o Impacto do Envelhecimento do Setor Empresarial.

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