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APARÊNCIAS ENGANOSAS
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A
proliferação de títulos, livros, seminários e dinâmicas
de auto-ajuda para executivos deve estar dificultando
bastante o trabalho dos selecionadores - também conhecidos
como caça-cabeças - pela quantidade de receitas que
coloca na memória dos candidatos.
Hoje em dia, quando se conversa com um executivo, fica
difícil saber se ele é de fato competente e tem discernimento
próprio ou é apenas um repetidor de fórmulas aprendidas
no receituário da auto-ajuda.
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Vejam
alguns temas que são oferecidos aos mais incautos:
Como
obter sucesso numa entrevista; Como fazer amigos e influenciar
pessoas; Como criar uma rede de contatos profissionais; Como
manter-se feliz o tempo todo; Como aparentar otimismo mesmo
estando pessimista; Como falar em público e impressionar
no contato pessoal; Como vestir-se para impressionar; Como
freqüentar ambientes e festas sem parecer um "penetra";
Como impressionar os outros sem sentir-se culpado; Como subir
no cipó da hierarquia da empresa sem que os outros
percebam suas incompetências.
Enfim, os títulos
poderiam continuar e de forma sintética podemos concluir:
como se manter hipócrita na relação com
os demais e a empresa sem dor na consciência.
Mas a cada dia
que passa também fica claro que toda esta postura do
tipo: engana que eu acredito; não funciona no âmbito
das relações pessoais.
Esposas, amantes,
namorados, filhos, amigos e familiares não conseguem
ser enganados por estas figuras criadas pelas técnicas
e macetes descartáveis do universo da auto-ajuda.
Como estamos
vivendo uma fase de grandes mudanças no país,
com uma nova elite política surgindo, vale a pena também
que a fauna que circula no mundo corporativo mude sua postura.
Seria bom e útil desenvolver relacionamentos mais autênticos,
nos quais as pessoas admitissem suas dúvidas, incertezas
e ambigüidades.
Isto pode fazer
bem a todos. E especialmente romper com a dualidade do sucesso
profissional a custa de fracassos pessoais.
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