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O 11 de setembro ambiental

Estudioso americano Lester R. Brown prevê um evento catastrófico no meio ambiente.

Alex Sanghikian

O meio ambiente mundial está sendo degradado a tal ponto que somente um evento catastrófico poderá fazer com que sociedade e governos realmente virem seus olhos para o problema. É o que pensa o respeitado ambientalista americano Lester R. Brown, cujo livro Eco-economia está disponível via internet no Brasil (pode ser acessado no site

www.ethos.org.br/docs/conceitos_praticas/publicacoes/outras_publicacoes/livro.pdf.

Segundo ele, essa catástrofe iminente é o "chacoalhão" que o mundo precisa para que conserte a distorção nos preços causada pela economia moderna, que ignora os custos ambientais e, por conseqüência, agrava ano a ano a situação dos ecossistemas terrestres que, segundo ele, são a própria base da economia.

E a previsão sombria não é feita por um ambientalista qualquer. Brown é o fundador do Worldwatch Institute, organização não-governamental responsável pela publicação anual do "Estado do Mundo", relatório considerado a bíblia do pensamento ecológico.

O ambientalista, de 69 anos, preside atualmente o Earth Policy Institute, em Washigton.

"Chacoalhão" virá da China

Brown gosta de falar sobre esse "catastrófico" impacto no meio ambiente fazendo uma analogia com a Segunda Guerra Mundial. Ele usa o exemplo da entrada dos Estados Unidos no conflito. Antes do ataque a Pearl Harbour pelos japoneses, ocorrido em 7 de dezembro de 1941, os americanos eram quase unânimes na opinião de que os EUA não deveriam entrar na guerra.

"Depois do ataque, porém, tudo mudou. E muito rápido", analisa Brown. "O presidente Roosevelt disse que o país iria produzir 40 mil tanques, 65 mil aviões, 20 mil peças de artilharia antiaérea, dentre outras coisas. Tudo com o aval de quase cem por cento da população", diz.

Segundo o ambientalista, somente um "chacoalhão" desse porte poderá fazer com que sejam revertidas as distorções econômicas atuais.

E esse impacto deverá vir dos chineses. "Na China, a produção de grãos foi de 9 milhões de toneladas em 1950 para 390 milhões de toneladas em 1998 e no ano passado caiu para 340 milhões de toneladas", analisa. De acordo com ele, no em até 2005 haverá 1,3 bilhão de consumidores chineses competindo no mercado com os consumidores americanos pelos grãos dos próprios americanos. Tal problema fará com que os preços subam de forma quase que incontrolável, já que, segundo ele, nem mesmo um embargo às exportações resolveria o problema. Isso porque atualmente os EUA têm interesse no crescimento da economia chinesa, que se apresenta ultimamente como o motor econômico mundial.

Essa queda na produção de grãos na China é decorrente, segundo estudo realizado pelo próprio Worldwatch Institute, da degradação ambiental na região. Ou seja, as altas temperaturas (conseqüência do aquecimento global) estão reduzindo a produtividade.

Reestruturação Econômica

Segundo explica o americano, o resultado dessa catástrofe ambiental será benéfico. Fará com que as autoridades passem a buscar soluções imediatas para a degradação do meio ambiente e reestruturem a economia.

"Acho que a medida política mais importante para construir uma eco-economia é reestruturar o sistema tributário. Baixar os impostos sobre o ganho e aumentar os impostos sobre atividades como a emissão de carbono", analisa.

Brown reconhece, porém, que essa não é uma tarefa fácil. "A reestruturação que abrirá caminho para o uso global de energias limpas, como a eólica e o hidrogênio, dependerá de uma mentalidade de mobilização de toda a sociedade", diz.

No livro, além de falar sobre todas essas fortes previsões para o meio ambiente mundial, Brown analisa também os muitos problemas ambientais do planeta, como o aquecimento global e o aumento desenfreado no consumo de carne no Terceiro Mundo.

Fonte: Tempestade Comunicação

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