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Alambiqueiros, uni-vos!
(*) Diorindo Lopes Júnior

Agora que já passou algum tempo, creio que já dá para falar outra vez do imbróglio que envolveu o presidente e o correspondente do New York Times.

Para mim, não passou de uma piada. De mau gosto, é verdade, mas uma piada, um pastelão insosso. Que, águas passadas, revelou que nosso presidente está muito, mas muito mal-assessorado mesmo, por aspones de competência bastante abaixo da crítica.

Ô turminha ruim de serviço, sô!

Custava alguém sugerir, no auge da bronca, que nesses casos o desprezo silencioso é a resposta mais eficaz? Esse correspondente ia ficar tão mal na foto (não verificou direito suas informações, cometeu erros primários para a prática do bom jornalismo), que, talvez, ele mesmo pedisse transferência à matriz, evitando assim o desgaste desnecessário.

Quem tem conselheiros (?) deste quilate, decididamente, não precisa de inimigos - ainda bem, houve uma quase retratação e tudo ficou por isso mesmo.

Paralelamente, expôs também uma outra realidade alarmante, até mesmo para quem não é da imprensa: parece que ficou proibido fazer piada, falar mal e reclamar do presidente ou de seu governo. Imediatamente, uma horda de simpatizantes põe-se a gralhar (quando não parte logo para agressões verbais ou até físicas) justificativas tolas, onde a mais banal e repetida é "mas fulano também fez".

Sim, fulano fez igual, e daí? Não foi para mudar coisas assim que se elegeu um outro presidente?

Na minha desinteressada opinião (não sou consumidor), penso que os marqueteiros dos produtores de cachaça não podem desprezar uma oportunidade tão preciosa para divulgar, mundialmente, um produto genuinamente brasileiro. Tirar da pinga a pecha de bebida do Canhoto. Acabar com preconceitos sociais como pinguço, cachaceiro, pé-de-cana, manguaceiro e outros muitos adjetivos menos publicáveis, que apenas marginalizam cidadãos eufóricos ou então doentes.

Por acaso, os bebedores em demasia de uísque, vodka, gim, vinho, saquê, pisco, rum, cerveja, não ficam bêbados iguaizinhos aos apreciadores da brasileiríssima cachaça? Ou da caipirinha?

Chegou a hora de os alambiqueiros de todos os cantos juntarem esforços e promover a visualização de seus produtos, resgatá-los da clandestinidade a que foram segredados por falsos moralismos. Explorar as brechas existentes no mercado internacional, para quem a cachaça ainda é apenas uma bebida exótica de um ignorado país da América do Sul.

Talvez organizar festivais de degustação, oferecer como brinde de recepção a turistas. O leque é vasto, aposto como não faltarão alternativas carregadas de bom humor bem brasileiro.

O alcoolismo é uma doença e como tal deve ser prevenido e tratado. Mas a cachaça, um produto que pode custar mais de 100 paus a garrafa, não pode ser desprezada e, de jeito algum, ser amaldiçoada.

(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br) é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.editorasaraiva.com.br).

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