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Sair por aí...
                                                (*) Diorindo Lopes Júnior

Outro dia me perguntaram a razão de eu andar escrevendo sobre turismo.

Simples: ando conversando com pessoas ligadas à área, por conta de meu amigo Danilo Andreoni, um físico que virou fomentador de viagens. Tenho um amigo mais maluco que outro...

Turismo de pesca, turismo de negócios, turismo contemplativo de paisagens, aventu-ra, puro lazer, exploração, esporte, tem de tudo. E a grana que gira é coisa para se (re) pen-sar seriamente o setor.

Que o Rio de Janeiro é a cidade mais linda do mundo, não se discute. Que São Paulo é o coração financeiro do país, é incontestável. Que o Nordeste tem sol o ano inteiro, só um maluco seria capaz de questionar, e aí seria internado. Que a Amazônia tem uma exu-berância natural ainda desconhecida, nem vou falar, porque aí já fico pensando nas suas ri-quezas que nos roubam diariamente. Centro-Oeste e Sul do país têm uma qualidade de vida incomparável à maior parte do mundo, alguém aí se arrisca a falar contra?

Conheço pessoas que se gabam de ir a Miami ou a Paris, e me pergunto se conhecem o Museu do Ipiranga ou Caruaru, Cuiabá, Palmas. Se conhecem Belém ou Ituiutaba. San-tarém ou Bento Gonçalves. Juazeiro ou Londrina. Floripa. Recife, João Pessoa, Fortaleza, Natal. Ou o interior dos estados dessas capitais mencionadas.

Confesso saber muito pouco do planeta e menos ainda de meu próprio país. Eu me tornei jornalista para conhecer o mundo, mas já desisti da vontade.

Quero ir a Curitiba e a Porto Seguro, quero percorrer o São Francisco e visitar meu amigo Alfredo em Ananindeua (periferia de Belém), rever o Alexandre em Guarabira (interior da Paraíba), conhecer a Márcia em Recife e ver o Rauer em Uberlândia. Quero conhecer o jornal O Na-cional em Passo Fundo e ver sorrisos bons em Rio Branco, talvez comer palmito em Maca-pá.

Passar um São João no Nordeste e ver a festa dos bois Azul e Vermelho na gloriosa e desprotegida Amazônia tropical. Conhecer a tradição gaúcha e me embriagar em Blume-nau e Santarém. Saber Vitória, voltar a Brasília, que é muito linda, apesar de mal freqüen-tada por poderosos de ocasião. Jantar em Goiânia, café da manhã em BH (vale o almoço), almoçar camarão em Canoa quebrada.

Pescar no Pantanal eu ainda não me decidi, falam que tem muito mosquito e tenho uma relação muito difícil com esses insetos, apesar dos repelentes, mas... Mas quero voltar a Campo Grande, conhecer Rondonópolis, Três Lagoas, saber o que existe em Juiz de Fora, Pirassununga. Beber em Ubatuba e comer em Erechim.

Custa caro? Penso que custa o preço justo para qualquer satisfação.

Dinheiro, eu tra-balho e junto, milhares de pessoas fazem isso, e se divertem às tampas.

Os estranjas tam-bém, gostam daqui, mas conhecem muito pouco do muito mais que ainda podem conhecer, descobrir; que tragam os dólares para que diminuamos a dívida do país e aumentemos a fe-licidade dos especuladores ensandecidos - ô gentinha mais abjeta e canalha essa, especula-dores!

Os brasileiros que gostam de conhecer coisas novas nunca deixarão de viajar.

O país é continental, tem muita beleza natural gratuita e comidas deliciosas em cada canto desco-nhecido. Se cada cidade investir um pouquinho em infra-estrutura e divulgação de suas maravilhas próprias, pagamos a dívida externa, a interna, desenvolveremos atitudes sociais verdadeiramente amplas, e ainda daremos uns trocos de lambujem.

E, depois, uma banana para o FMI.

(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br) é jornalista, vive em São Paulo, e é autor de O Sol em Capricórnio (Atual/Saraiva Editora) e Cesta de 3 (Alis Editora, BH)


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