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Iniciativa inspira 'Fome Zero' dos livros
Projeto Quero Ler, criado pelo governo federal e coordenado
por instituto, articula parcerias
RIBEIRÃO
PRETO - No primeiro semestre do ano que vem, o projeto Quero
Ler - Biblioteca Para Todos começa a chegar ao interior
de São Paulo e de Minas.
Inspirado na política de Ribeirão,
o projeto tem como objetivo zerar o número de municípios
brasileiros sem biblioteca pública. Uma espécie
de Fome Zero dos livros.
Segundo o último censo, há
mais 1.100 cidades brasileiras sem biblioteca pública.
"O governo federal está articulando parcerias
com governos e com a iniciativa privada, principalmente empresas
e escolas particulares que têm condições
de adotar um município e provê-lo com um kit
leitura", diz o assessor de Políticas Públicas
do Instituto Ethos, Caio Magri. O instituto coordena o projeto,
embora ele tenha sido criado no governo federal.
Em São
Paulo, segundo Magri, o governo do Estado indicou 83 municípios
que serão beneficiados. Vinte deles serão atendidos
pela Federação das Indústrias de São
Paulo; 20 pelo Sindicato das Escolas Particulares e pelo Grupo
(que reúne algumas das escolas renomadas da capital);
20 pela Unimed Paulistana; 11 pelo Banco do Brasil; 4
pela Fundação Armando Alvares Penteado (Faap);
e 1 pela Associação Brasileira dos Postais (Abrapost).
Cada instituição vai pagar
ou angariar com os clientes um kit que varia de 300 a mil
títulos - dependendo do número de habitantes
do município -, além de um computador.
Assim como ocorre em Ribeirão,
as bibliotecas funcionarão em espaços comunitários,
como igrejas, associações, etc. Em Minas, serão
135 municípios beneficiados. A meta, segundo Magri,
é que os kits estejam nas cidades até março.
Os governos estaduais darão treinamento aos estagiários
que trabalharão nas bibliotecas.
"A idéia é eliminar
as carências. O Fome Zero quer erradicar a fome, o MEC
quer erradicar o analfabetismo e o Quero Ler, acabar com os
municípios sem biblioteca", diz o assessor do
Ethos.
O projeto envolve o Instituto Ethos, os
Ministérios da Cultura, da Reforma Agrária,
da Educação, de Segurança Alimentar e
a iniciativa privada. Além de Minas e São Paulo,
o Quero Ler também deve atender ao Piauí, onde
134 cidades já foram escolhidas - principalmente da
zona rural. Segundo o assessor do Ethos, o projeto também
está sendo articulado para beneficiar comunidades carentes
de Mato Grosso do Sul e do Paraná.
O Quero Ler,
de acordo com ele, nasceu na assessoria especial da Presidência,
por iniciativa de Oded Grajew, fundador do Ethos. Com sua
saída do governo federal, Grajew levou consigo a responsabilidade
pela coordenação do projeto. "Mas o governo
federal continua parceiro", afirma Magri. "É
um projeto que precisa dos setores que podem oferecer recursos
e da sociedade local, que vai manter e fazer as bibliotecas
funcionar de fato." (M.M.S.)
fonte: http://txt.estado.com.br/editorias/2003/12/07/ger009.html
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